Nutrição em Pacientes Críticos: Aporte Calórico e Marcadores

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024

Enunciado

Em relação aos aspectos nutricionais da população em geral, analise as assertivas abaixo:I. O uso de polivitamínicos na população idosa deve ser incentivado em todos os casos, objetivando atingir níveis séricos supraterapêuticos nas dosagens de vitaminas, melhorando a qualidade de vida e reduzindo o número de internações hospitalares.II. A dosagem sérica de albumina é o marcador ideal para avaliar o status nutricional em pacientes hospitalizados com quadro prolongado de inflamação sistêmica.III. Pacientes politraumatizados e grandes queimados necessitam um aporte calórico em torno de 35 a 40 kcal/kg quando da fase aguda da doença. Quais estão corretas?

Alternativas

  1. A) Apenas I.
  2. B) Apenas III.
  3. C) Apenas I e II.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

Aporte calórico para politraumatizados/grandes queimados na fase aguda: 35-40 kcal/kg.

Resumo-Chave

A suplementação indiscriminada de polivitamínicos em idosos não é universalmente benéfica, a albumina é um mau marcador nutricional em inflamação, e pacientes críticos como politraumatizados e grandes queimados demandam alto aporte calórico na fase aguda.

Contexto Educacional

A avaliação e o manejo nutricional são componentes críticos no cuidado de pacientes hospitalizados, especialmente aqueles em condições graves. A população idosa, por exemplo, frequentemente apresenta deficiências nutricionais, mas a suplementação de polivitamínicos deve ser individualizada e baseada em evidências de deficiência, e não incentivada de forma universal, pois o excesso pode ser prejudicial e não há comprovação de benefícios supraterapêuticos. A dosagem sérica de albumina, embora tradicionalmente usada, não é um marcador ideal para avaliar o status nutricional em pacientes com inflamação sistêmica prolongada. A albumina é uma proteína de fase aguda negativa, o que significa que seus níveis diminuem em resposta à inflamação, independentemente do estado nutricional, devido à redistribuição e à supressão da síntese hepática. Outros marcadores, como a pré-albumina ou a proteína C reativa, podem oferecer informações mais precisas em contextos inflamatórios. Por outro lado, pacientes politraumatizados e grandes queimados representam um grupo de alto risco para desnutrição devido ao intenso estresse metabólico e hipercatabolismo. Na fase aguda da doença, esses pacientes necessitam de um aporte calórico e proteico significativamente elevado para suportar a resposta inflamatória, a cicatrização de feridas e a recuperação. O fornecimento de 35 a 40 kcal/kg/dia é uma diretriz comum para atender a essas demandas metabólicas aumentadas, sendo a terapia nutricional precoce e agressiva fundamental para otimizar os resultados clínicos.

Perguntas Frequentes

Por que a suplementação de polivitamínicos não é incentivada em todos os idosos?

A suplementação indiscriminada de polivitamínicos em idosos sem deficiências comprovadas não demonstrou benefícios consistentes na melhora da qualidade de vida ou redução de internações, podendo até causar toxicidade em excesso.

Qual a limitação da albumina sérica como marcador nutricional em pacientes inflamados?

A albumina é uma proteína de fase aguda negativa; seus níveis diminuem rapidamente em estados inflamatórios devido à redistribuição e menor síntese hepática, tornando-a um indicador pobre do estado nutricional real nesses contextos.

Quais são as necessidades calóricas e proteicas de pacientes grandes queimados na fase aguda?

Pacientes grandes queimados apresentam um estado hipermetabólico e hipercatabólico extremo, necessitando de um aporte calórico elevado (35-40 kcal/kg) e proteico (1.5-2.0 g/kg/dia) para suportar a cicatrização e prevenir a desnutrição.

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