NASF e Apoio Matricial na Atenção Primária

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 50 anos de idade, sedentário, tabagista há 20 anos, com consumo médio de 1 maço de cigarros por dia e índice de massa corporal = 29 kg/m², inicia acompanhamento na Unidade Básica de Saúde (UBS). Relata ter sido avaliado há 5 meses por cardiologista, o qual solicitou exames e prescreveu sinvastatina 20 mg/dia e ácido acetilsalicílico (AAS) 100 mg/dia. Além disso, o cardiologista recomendou perda de peso e cessação do tabagismo. O paciente afirma ter tentado parar de fumar, sem êxito. Na consulta na UBS, verifica-se pressão arterial = 150 x 96 mmHg. Os resultados de exames laboratoriais realizados há 5 meses revelam: colesterol total = 200 mg/dL (valor de referência limítrofe: 200 a 239 mg/dL); colesterol HDL = 36 mg/dL (valor de referência desejável: superior a 60 mg/dL); triglicerídeos = 300 mg/dL (valor de referência limítrofe: 150 a 199 mg/dL); glicemia de jejum = 120 mg/dL (valor de referência normal: 70 a 99 mg/dL). Considerando o quadro clínico exposto acima e a relação entre a UBS e o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), assinale a alternativa em que é descrito o plano terapêutico adequado ao paciente:

Alternativas

  1. A) Manter a terapia farmacológica vigente e discutir plano de ação com a equipe do NASF.
  2. B) Manter a terapia farmacológica vigente e encaminhar o paciente aos profissionais da equipe do NASF.
  3. C) Aumentar a dose de sinvastatina, associar anti-hipertensivo e discutir plano de ação com a equipe do NASF.
  4. D) Aumentar a dose da sinvastatina, associar anti-hipertensivo e encaminhar o paciente aos profissionais da equipe do NASF.

Pérola Clínica

Matriciamento = Suporte técnico-pedagógico e discussão de casos entre NASF e ESF, sem transferência de cuidado.

Resumo-Chave

O NASF não funciona como um ambulatório de especialidades para encaminhamento; sua função é o apoio matricial para fortalecer a resolutividade da equipe de referência através da construção conjunta de planos terapêuticos.

Contexto Educacional

O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) foi criado para apoiar a inserção da Estratégia Saúde da Família na rede de serviços, ampliando a abrangência das ações da atenção primária. O conceito central é o matriciamento, que rompe com a lógica de encaminhamentos burocratizados e promove a educação permanente dos profissionais. No caso clínico apresentado, o paciente possui múltiplos fatores de risco (tabagismo, obesidade, hipertensão, dislipidemia e pré-diabetes), exigindo uma abordagem multifatorial. A interação com o NASF (nutricionistas, psicólogos, educadores físicos) deve ocorrer via discussão de plano de ação para que a equipe da UBS possa manejar o paciente de forma integral, mantendo a continuidade do cuidado e a adesão ao tratamento farmacológico e não farmacológico já iniciado.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o apoio matricial do NASF?

O apoio matricial é um arranjo organizacional que visa oferecer suporte técnico-pedagógico às equipes de referência (ESF). Ele se baseia na interdisciplinaridade e na troca de saberes, permitindo que a equipe de saúde da família amplie seu escopo de atuação e resolutividade através da discussão de casos, consultas conjuntas e elaboração de projetos terapêuticos, sem necessariamente transferir a responsabilidade do cuidado para o especialista.

Qual a diferença entre encaminhamento e matriciamento?

No encaminhamento tradicional (referência), o paciente é enviado para outro nível de atenção e a equipe de origem muitas vezes perde o vínculo ou a gestão do caso. No matriciamento, a equipe do NASF e a ESF compartilham a responsabilidade. O NASF atua 'com' a equipe e não 'pela' equipe, mantendo o paciente no território da Unidade Básica de Saúde sempre que possível.

Como é elaborado um Plano Terapêutico Singular (PTS)?

O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um sujeito individual ou coletivo, resultado da discussão interdisciplinar. Ele envolve quatro momentos: diagnóstico (avaliação orgânica, psicológica e social), definição de metas (curto, médio e longo prazo), divisão de responsabilidades (quem faz o quê) e reavaliação periódica para ajustes conforme a evolução do caso.

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