UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Menino nasceu com idade gestacional de 33 semanas, de parto cesáreo por indicação materna (placenta prévia com sangramento) e evoluiu com desconforto respiratório desde o nascimento. No segundo dia de vida, apresentou pausa respiratória de 15 segundos acompanhada de FC = 80 bpm. Exame físico: mantém taquipneia sem outras alterações. RX de tórax com infiltrado intersticial bilateral com aumento de área cardíaca e hemograma com escore hematológico de Rodwell = 2. Qual droga pode beneficiar este recém-nascido?
Apneia da prematuridade + bradicardia → Citrato de cafeína (1ª linha).
A cafeína atua estimulando o centro respiratório bulbar, aumentando a sensibilidade ao CO2 e melhorando a contratilidade diafragmática em prematuros.
A apneia da prematuridade é uma condição fisiológica decorrente da imaturidade do controle respiratório em neonatos com menos de 37 semanas de gestação. Clinicamente, define-se pela cessação do fluxo respiratório por mais de 20 segundos ou por períodos menores se acompanhados de bradicardia ou dessaturação de oxigênio. O tratamento padrão-ouro envolve o uso de metilxantinas, especificamente o citrato de cafeína, que possui propriedades estimulantes centrais e reduz a necessidade de ventilação mecânica invasiva. Além do suporte farmacológico, medidas como posicionamento adequado e CPAP podem ser necessárias para estabilizar a parede torácica e as vias aéreas superiores. O diagnóstico exige a exclusão de causas secundárias, como distúrbios metabólicos, anemia, hemorragia intracraniana e, principalmente, sepse neonatal. No caso clínico, a estabilidade do hemograma (Rodwell baixo) e o infiltrado intersticial bilateral (sugestivo de taquipneia transitória ou doença de membrana hialina leve) reforçam a etiologia ligada à prematuridade e à transição respiratória.
O citrato de cafeína deve ser iniciado em recém-nascidos prematuros que apresentam episódios de apneia, definidos como pausa respiratória superior a 20 segundos ou acompanhada de bradicardia ou cianose. Também pode ser usado profilaticamente em prematuros de muito baixo peso. A cafeína estimula os centros respiratórios bulbares, aumenta a ventilação por minuto e a sensibilidade ao dióxido de carbono, além de melhorar a função diafragmática. É a metilxantina de escolha na neonatologia devido à sua meia-vida longa, que permite dose única diária, e sua ampla margem terapêutica, apresentando menos efeitos colaterais em comparação com a aminofilina ou teofilina.
A apneia central ocorre devido à imaturidade do centro respiratório no tronco encefálico, resultando em falta de esforço respiratório. Já a apneia obstrutiva ocorre quando há esforço respiratório, mas o fluxo de ar é impedido pelo colapso das vias aéreas superiores ou flexão do pescoço. A maioria dos casos na prematuridade é de apneia mista. O tratamento com citrato de cafeína foca principalmente no componente central, estimulando o drive respiratório. O CPAP nasal é frequentemente associado para manter a patência das vias aéreas superiores, tratando o componente obstrutivo e estabilizando a caixa torácica, o que reduz o trabalho respiratório do neonato.
O escore de Rodwell é uma ferramenta de triagem hematológica para sepse neonatal baseada em parâmetros do hemograma, como neutropenia, aumento de formas jovens e relação I/T (imaturos/totais). Um escore baixo, como o valor 2 citado no caso, possui um alto valor preditivo negativo, indicando que a probabilidade de sepse neonatal é muito baixa. Isso é fundamental para o raciocínio clínico, pois permite ao pediatra atribuir a apneia e a bradicardia à imaturidade do sistema nervoso central (apneia da prematuridade) em vez de iniciar antibioticoterapia empírica desnecessária, focando o tratamento no suporte respiratório e no uso de metilxantinas como a cafeína.
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