UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Recém-nascido prematuro com idade gestacional de 30 semanas e peso de 1200 gramas, nascido de parto cesáreo devido à pré-clampsia materna, tendo evoluído com síndrome desconforto respiratório leve e ficado em CPAP (pressão positiva contínua em via aérea) por 2 dias. Com 4 dias de vida, neonato encontrava-se em incubadora, em ar ambiente, recebendo nutrição parenteral via cateter percutâneo e dieta enteral (8 mL de leite materno de 3/3h) por sonda orogástrica e mantendo controle térmico, respiratório, hemodinâmico e metabólico adequados para idade, quando apresentou três episódios de pausa respiratória acompanhados de cianose (saturação de oxigênio: 78%) e bradicardia (frequência cardíaca: 80 batimentos por minuto) e exame físico sem anormalidades. Realizado radiografia simples de tórax: sem alterações; hemograma: normal (escore de Rodwell=zero), proteína C reativa (PCR): 0,1 mg/dL, perfil metabólico (glicemia, cálcio, magnésio, sódio, potássio e gasometria arterial): normais; ultrassonografia de crânio e ecocardiograma: sem anormalidades.Qual a hipótese diagnóstica para o quadro?Além da assistência respiratória, qual o tratamento preconizado?
Apneia da prematuridade: diagnóstico de exclusão em RN < 34 semanas, tratamento com metilxantinas (cafeína).
Em um prematuro com pausas respiratórias, cianose e bradicardia, e com exames que excluem outras causas (infecção, metabólica, neurológica, cardíaca), a principal hipótese é apneia da prematuridade. O tratamento de escolha é a cafeína.
A apneia da prematuridade é uma condição comum em recém-nascidos pré-termo, especialmente aqueles com idade gestacional inferior a 34 semanas, e representa uma imaturidade do controle respiratório central. Caracteriza-se por pausas respiratórias que podem ser acompanhadas de bradicardia e dessaturação de oxigênio, exigindo vigilância e intervenção. O diagnóstico da apneia da prematuridade é de exclusão. É crucial que o residente realize uma investigação completa para descartar outras causas subjacentes de apneia, como infecções (sepse), distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia), anomalias neurológicas (hemorragia intracraniana) ou problemas cardíacos. O caso clínico apresentado, com exames complementares normais, reforça a hipótese de apneia da prematuridade. O tratamento preconizado para a apneia da prematuridade é o uso de metilxantinas, sendo a cafeína o fármaco de escolha devido à sua eficácia em estimular o centro respiratório, aumentar a contratilidade diafragmática e reduzir a fadiga muscular. A cafeína também apresenta um perfil de segurança favorável, com menor toxicidade e maior meia-vida em comparação com outras metilxantinas, facilitando a administração e manutenção dos níveis terapêuticos.
A apneia da prematuridade é definida como uma pausa respiratória com duração maior que 20 segundos, ou uma pausa de menor duração acompanhada de bradicardia (FC < 100 bpm), cianose ou dessaturação de oxigênio, em recém-nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas, após exclusão de outras causas.
O tratamento de primeira linha para a apneia da prematuridade são as metilxantinas, sendo a cafeína o fármaco de escolha devido ao seu perfil de segurança e eficácia, com menor incidência de efeitos adversos e maior janela terapêutica em comparação com a teofilina.
Antes de diagnosticar apneia da prematuridade, é fundamental excluir causas como sepse, distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia), distúrbios neurológicos (hemorragia intracraniana, convulsões), distúrbios respiratórios (doença da membrana hialina, pneumonia) e distúrbios cardíacos.
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