SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) em crianças pode ter consequências significativas para a saúde e o desenvolvimento. Assinale a alternativa que representa uma complicação comum da SAOS pediátrica.
SAOS pediátrica → hipóxia intermitente + fragmentação do sono → prejuízo cognitivo e escolar.
A SAOS na infância causa inflamação sistêmica e estresse oxidativo, afetando o desenvolvimento do córtex pré-frontal, resultando em déficits de atenção e aprendizado.
A SAOS pediátrica é uma condição subdiagnosticada que difere significativamente da apresentação adulta. Enquanto adultos frequentemente apresentam sonolência, crianças podem manifestar hiperatividade, agressividade e baixo rendimento escolar. A fisiopatologia envolve a obstrução mecânica das vias aéreas superiores, levando a despertares frequentes e flutuações na saturação de oxigênio. O diagnóstico precoce é crucial para evitar sequelas no desenvolvimento neuropsicomotor e complicações cardiovasculares, como a hipertensão pulmonar e a cor pulmonale em casos graves.
A principal causa de SAOS em crianças é a hipertrofia das tonsilas palatinas e faríngeas (adenoides). Diferente dos adultos, onde a obesidade é o fator predominante, na pediatria o crescimento excessivo do tecido linfoide no anel de Waldeyer obstrui a via aérea superior durante o relaxamento muscular do sono. Outros fatores incluem anomalias craniofaciais, doenças neuromusculares e, crescentemente, a obesidade infantil.
A fragmentação do sono e a hipóxia intermitente levam a danos neuronais no córtex pré-frontal e hipocampo. Isso se traduz clinicamente em dificuldades de memória operacional, atenção sustentada e funções executivas. Muitas crianças com SAOS são erroneamente diagnosticadas com TDAH devido à agitação psicomotora e impulsividade, que são mecanismos compensatórios à sonolência diurna.
O tratamento de primeira linha para a maioria das crianças com SAOS e hipertrofia linfoide é a adenotonsilectomia. Estudos como o CHAT (Childhood Adenotonsillectomy Trial) demonstram melhora significativa nos sintomas respiratórios e na qualidade de vida, embora o impacto a longo prazo nas funções executivas ainda seja objeto de estudo. Em casos de obesidade ou persistência pós-cirúrgica, o CPAP pode ser indicado.
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