UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem de 60 anos procura atendimento devido a cefaleia refratária e sonolência diurna excessiva há 4 meses. Há 2 meses vem apresentando amnésia para fatos recentes e anomia. É obeso, hipertenso, diabético, sedentário, dislipidêmico, etilista e tabagista. No momento, apresenta-se com pressão arterial = 180 x 120 mmHg, fundoscopia KW3 e todo o restante do exame neurológico normal. Qual é o melhor exame complementar para fazer o diagnóstico da patologia que, ainda não diagnosticada, influencia negativamente o controle das demais moléstias apresentadas por ele e agrava todo o seu prognóstico?
Cefaleia refratária, sonolência diurna excessiva e comorbidades metabólicas → suspeitar de Apneia Obstrutiva do Sono → Polissonografia.
A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é uma condição subdiagnosticada que agrava múltiplas comorbidades crônicas. A sonolência diurna e cefaleia matinal são pistas importantes, e a polissonografia é o padrão-ouro para seu diagnóstico.
A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um distúrbio crônico caracterizado por episódios recorrentes de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em pausas respiratórias (apneias) ou respiração superficial (hipopneias). É uma condição comum, especialmente em indivíduos obesos, hipertensos e diabéticos, e sua prevalência aumenta com a idade. A importância clínica reside no seu impacto sistêmico, agravando comorbidades e aumentando o risco cardiovascular e cerebrovascular. A fisiopatologia envolve o colapso das vias aéreas superiores devido à perda do tônus muscular durante o sono, levando à hipóxia intermitente e fragmentação do sono. O diagnóstico deve ser suspeitado em pacientes com ronco alto, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal, fadiga e comorbidades metabólicas ou cardiovasculares de difícil controle. A polissonografia de noite inteira é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, quantificar a gravidade e guiar o tratamento. O tratamento visa restaurar a permeabilidade das vias aéreas durante o sono, sendo o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) a terapia de primeira linha. Outras opções incluem aparelhos orais e cirurgia. O manejo da AOS melhora significativamente o controle das comorbidades e o prognóstico geral do paciente.
Os sintomas clássicos incluem ronco alto e irregular, pausas respiratórias observadas durante o sono, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal, fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração.
A polissonografia de noite inteira é considerada o padrão-ouro porque monitora múltiplos parâmetros fisiológicos durante o sono (fluxo aéreo, esforço respiratório, saturação de oxigênio, atividade cerebral, movimentos oculares), permitindo quantificar e caracterizar os eventos de apneia e hipopneia.
A AOS causa hipóxia intermitente e fragmentação do sono, levando à ativação simpática e inflamação sistêmica. Isso agrava condições como hipertensão arterial (difícil controle), diabetes mellitus (resistência à insulina), doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, e pode contribuir para disfunção cognitiva.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo