HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025
Homem, de 54 anos de idade, comparece a consulta na Unidade Básica de Saúde por se sentir sempre cansado durante o dia. Relata que cochila no trabalho e toma vários cafés por dia para ficar acordado. Já cochilou em conversas com amigos e sentado na sala de espera da consulta. Deita-se às 22 horas, demora 10 minutos para dormir, ronca alto, acorda duas a três vezes à noite e se levanta às 6 horas, com sensação de sono insuficiente. A esposa relata ter observado episódios em que parecia ""estar sufocando"" à noite. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica e sobrepeso. Qual é a principal hipótese diagnóstica e qual é a conduta correta para este paciente?
Ronco alto + sonolência diurna + episódios de sufocamento noturno + sobrepeso → Apneia Obstrutiva do Sono → Polissonografia.
O quadro clínico de sonolência diurna excessiva, ronco alto, episódios de sufocamento noturno relatados por parceiro, e comorbidades como hipertensão e sobrepeso, é altamente sugestivo de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). A conduta inicial correta inclui orientações sobre exercício físico e controle de peso, que são medidas importantes, e a solicitação de polissonografia, que é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da AOS.
A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um distúrbio crônico caracterizado por episódios recorrentes de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono, levando a interrupções da respiração (apneias) ou reduções significativas (hipopneias). É uma condição de alta prevalência, especialmente em homens de meia-idade e idosos, e em indivíduos com sobrepeso ou obesidade. Sua importância clínica reside nas graves consequências para a saúde, incluindo aumento do risco cardiovascular (hipertensão, arritmias, AVC), metabólico (resistência à insulina, diabetes) e neurocognitivo (sonolência diurna excessiva, acidentes).A fisiopatologia da AOS envolve o colapso das vias aéreas superiores devido à perda do tônus muscular durante o sono, exacerbado por fatores anatômicos e obesidade. Os sintomas típicos incluem ronco alto e irregular, sonolência diurna excessiva (que pode levar a cochilos involuntários), fadiga, cefaleia matinal e, frequentemente, relatos de pausas respiratórias ou engasgos noturnos por parte do parceiro. O diagnóstico é confirmado pela polissonografia, que quantifica o Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) e a dessaturação de oxigênio.O tratamento da AOS visa restaurar a permeabilidade das vias aéreas durante o sono. As medidas iniciais incluem mudanças no estilo de vida, como perda de peso, exercício físico regular, evitar álcool e sedativos antes de dormir, e dormir de lado. Para casos moderados a graves, o tratamento de escolha é a Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP). Outras opções incluem aparelhos orais e, em casos selecionados, cirurgia. O prognóstico melhora significativamente com o tratamento adequado, reduzindo as comorbidades e melhorando a qualidade de vida. É fundamental que residentes saibam identificar e encaminhar pacientes com suspeita de AOS.
Os sintomas incluem ronco alto e irregular, pausas respiratórias observadas por terceiros, engasgos ou sufocamento noturno, sonolência diurna excessiva, fadiga, cefaleia matinal, dificuldade de concentração e irritabilidade.
A polissonografia é o exame padrão-ouro. Ela monitora diversas variáveis fisiológicas durante o sono, como fluxo aéreo, movimentos respiratórios, saturação de oxigênio, atividade cerebral e cardíaca, para quantificar os eventos de apneia e hipopneia.
Os principais fatores de risco são obesidade, sexo masculino, idade avançada, circunferência do pescoço aumentada, anomalias anatômicas das vias aéreas superiores, consumo de álcool e sedativos, e histórico familiar.
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