Apneia Obstrutiva do Sono: Diagnóstico e Escala de Berlim

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

O Sr. Thiago, 46 anos, pardo, porteiro de prédio comercial, procura ambulatório de clínica médica com história de cefaleia matinal, e que ultimamente está um pouco deprimido, e que muitas vezes dorme na portaria do prédio durante seu trabalho, relata ainda que ronca muito a noite. AP: Hipertensão Arterial Sistêmica, sedentarismo. Ao exame: PA= 160x100 mmHg, P= 79 bpm (R), Temp.= 36,9º C, Glicose capilar= 125 mg %, Peso=119 Kg, altura=180 cm. Ausculta cardíaca; BR hipofonéticas S/S em 2 tempos; Ausculta Pulmonar: MV +/ difusamente diminuído, sem R.A. Abdome globoso, batráquio, sem visceromegalias, RHA + e normal, membros sem edema, pele com aspecto normal, Vascular: pulsos periféricos amplos e palpáveis. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é hipersonolência diurna secundária à narcolepsia, sendo recomendado iniciar com metilfenidato e cafeína.
  2. B) Caso o paciente apresente diâmetro cervical > 38 cm, e IMC >35, considere o diagnóstico de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) e iniciar uso do BIPAP.
  3. C) Caso paciente apresente duas ou mais das 3 categorias positivas na escala de Berlim, o diagnóstico de AOS é muito provável, e deve ser indicada polissonografia.
  4. D) Na polissonografia, caso o paciente apresente índice de Apnéia/ hipopnéia >= 2 considere o diagnóstico de AOS e iniciar uso do BIPAP.

Pérola Clínica

AOS: Obesidade + roncos + sonolência diurna + cefaleia matinal → Escala de Berlim positiva → Polissonografia para diagnóstico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clínico altamente sugestivo de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), com fatores de risco como obesidade e hipertensão, e sintomas como roncos intensos, sonolência diurna excessiva e cefaleia matinal. A Escala de Berlim é uma ferramenta de triagem validada que, se positiva em duas ou mais categorias, indica um alto risco para AOS e a necessidade de realizar uma polissonografia para confirmar o diagnóstico e determinar a gravidade.

Contexto Educacional

A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um distúrbio crônico caracterizado por episódios recorrentes de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em interrupções da respiração (apneias) ou reduções significativas do fluxo aéreo (hipopneias). É uma condição prevalente, especialmente em indivíduos obesos, e está fortemente associada a comorbidades como hipertensão arterial sistêmica, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e acidentes de trânsito devido à sonolência diurna. A fisiopatologia da AOS envolve o colapso das vias aéreas superiores durante o sono, quando o tônus muscular diminui. Os sintomas clássicos incluem roncos altos e irregulares, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal, fadiga, dificuldade de concentração e irritabilidade. A suspeita clínica é fundamental e pode ser levantada por meio de questionários e escalas de triagem, como a Escala de Berlim, que avalia o risco com base em sintomas e fatores de risco. O diagnóstico definitivo da AOS é estabelecido pela polissonografia, que é o padrão-ouro. Este exame monitora o sono e os eventos respiratórios, permitindo calcular o Índice de Apneia/Hipopneia (IAH), que classifica a gravidade da doença. O tratamento varia de acordo com a gravidade, podendo incluir mudanças no estilo de vida (perda de peso, evitar álcool e sedativos), uso de aparelhos intraorais, e o mais comum, a terapia com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que mantém as vias aéreas abertas durante o sono. Em casos selecionados, a cirurgia pode ser considerada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas e fatores de risco para a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)?

Os principais sintomas da AOS incluem roncos altos e irregulares, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal, despertares noturnos com sensação de sufocamento, fadiga e dificuldade de concentração. Fatores de risco importantes são obesidade, sexo masculino, idade avançada, circunferência cervical aumentada, consumo de álcool e uso de sedativos.

Como a Escala de Berlim é utilizada no diagnóstico da Apneia Obstrutiva do Sono?

A Escala de Berlim é uma ferramenta de triagem que avalia o risco de AOS com base em três categorias: roncos (frequência, intensidade, incômodo), sonolência diurna e fadiga (frequência, impacto) e histórico de hipertensão ou obesidade (IMC > 30 kg/m²). Se o paciente apresentar duas ou mais categorias positivas, ele é considerado de alto risco para AOS e deve ser encaminhado para polissonografia.

Qual o papel da polissonografia no diagnóstico e manejo da AOS?

A polissonografia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico da AOS. Ela monitora múltiplos parâmetros fisiológicos durante o sono, como fluxo aéreo, esforço respiratório, saturação de oxigênio, atividade cerebral e cardíaca. Permite quantificar o Índice de Apneia/Hipopneia (IAH) e determinar a gravidade da doença, essencial para guiar a escolha do tratamento, que pode incluir CPAP, aparelhos orais ou cirurgia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo