SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um paciente de 35 anos de idade tem histórico de roncos e sonolência diurna excessiva. Sua esposa relatou que ele para de respirar por alguns segundos durante o sono, seguido de um ronco forte. O exame físico revelou IMC = 32, PA = 130 mmHg X 85 mmHg, FC = 72 bpm, FR = 18 irpm e SatO2 = 94%. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Ronco + Pausas respiratórias + Sonolência diurna + IMC > 30 → Alta probabilidade de Apneia Obstrutiva do Sono.
A Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada pelo colapso recorrente das vias aéreas superiores, resultando em fragmentação do sono e hipóxia intermitente, fortemente associada à obesidade.
A Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é um distúrbio prevalente, especialmente em homens de meia-idade e indivíduos obesos. A fisiopatologia envolve o fechamento parcial ou total da via aérea superior durante o sono, apesar do esforço inspiratório mantido. O quadro clínico clássico é composto pela tríade de roncos altos, pausas respiratórias presenciadas e sonolência excessiva durante o dia. O diagnóstico diferencial inclui narcolepsia, síndrome de resistência das vias aéreas superiores e insônia. O manejo clínico foca na perda de peso, higiene do sono e, nos casos moderados a graves ou sintomáticos, no uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que atua como uma 'férula pneumática' impedindo o colapso tecidual.
O padrão-ouro é a polissonografia de noite inteira realizada em laboratório de sono. Este exame monitora variáveis eletrofisiológicas e respiratórias, permitindo o cálculo do Índice de Apneia e Hipopneia (IAH). Um IAH maior que 5 eventos por hora associado a sintomas, ou maior que 15 eventos por hora mesmo em pacientes assintomáticos, confirma o diagnóstico de Apneia Obstrutiva do Sono.
A SAOS não tratada está associada a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial sistêmica (frequentemente resistente), arritmias (como fibrilação atrial), insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Além disso, a sonolência excessiva aumenta significativamente o risco de acidentes de trânsito e reduz a qualidade de vida e produtividade.
O aumento do Índice de Massa Corporal (IMC), especialmente a obesidade central e cervical, promove o depósito de gordura nos tecidos moles ao redor da faringe. Isso reduz o lúmen da via aérea e aumenta a sua colapsabilidade durante o sono, quando o tônus muscular relaxa. Além disso, a obesidade reduz a complacência pulmonar e o volume de reserva expiratório, agravando as dessaturações de oxigênio.
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