Anemia por Parvovírus B19: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 35 anos se apresenta para avaliação de fadiga há 1 semana. Ela afirma que há duas semanas seus dois filhos, de 7 e 9 anos, desenvolveram uma doença febril associada a vermelhidão proeminente nas bochechas. Eles se recuperaram bem e voltaram à escola. Poucos dias depois, a paciente apresenta febre baixa, que resolveu espontaneamente. Exames de sangue: hemoglobina: 8,4 g/dL (anteriormente: 12,1); volume corpuscular médio: 89 fL; plaquetas: 255 000/mm³; bilirrubina total: 0,7 mg/dL; desidrogenase lática: 122 U/L. Nessas circunstâncias, a principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) anemia hemolítica.
  2. B) anemia aplástica.
  3. C) aplasia pura de glóbulos vermelhos.
  4. D) deficiência de folato.
  5. E) α-talassemia.

Pérola Clínica

Infecção por Parvovírus B19 em adultos → crise aplástica transitória → anemia normocítica aguda.

Resumo-Chave

A infecção por Parvovírus B19 é uma causa comum de crise aplástica transitória, especialmente em pacientes com condições hemolíticas subjacentes, mas pode causar aplasia pura de glóbulos vermelhos em indivíduos saudáveis. A história de contato com crianças com "doença da bochecha esbofeteada" e a queda abrupta da hemoglobina com VCM normal e plaquetas normais são pistas importantes.

Contexto Educacional

A aplasia pura de glóbulos vermelhos (APGV) é uma condição rara caracterizada pela supressão seletiva da eritropoiese na medula óssea, resultando em anemia normocítica ou macrocítica com reticulocitopenia. A infecção por Parvovírus B19 é uma das causas mais comuns de APGV transitória, especialmente em pacientes com doenças hemolíticas crônicas, onde a vida útil dos eritrócitos é reduzida e a medula óssea precisa compensar constantemente. Em indivíduos imunocompetentes, a infecção geralmente é assintomática ou causa eritema infeccioso (quinta doença) em crianças e sintomas gripais ou artralgia em adultos. O Parvovírus B19 infecta e destrói os precursores eritroides na medula óssea, levando a uma interrupção temporária da produção de glóbulos vermelhos. Em pacientes com vida útil normal dos eritrócitos, essa supressão pode passar despercebida ou causar uma anemia leve. No entanto, em pacientes com hemólise crônica (ex: esferocitose, anemia falciforme) ou em indivíduos com alta demanda eritroide, a interrupção da produção pode levar a uma crise aplástica grave e anemia sintomática. O diagnóstico é feito pela história clínica (exposição a crianças com eritema infeccioso), queda abrupta da hemoglobina com reticulocitopenia e sorologia ou PCR para Parvovírus B19. O tratamento da APGV induzida por Parvovírus B19 é geralmente de suporte, com transfusões de concentrado de hemácias para pacientes sintomáticos ou com anemia grave. Em pacientes imunocomprometidos com infecção persistente, a imunoglobulina intravenosa (IVIG) pode ser eficaz na eliminação do vírus e na recuperação da eritropoiese. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação espontânea da medula óssea em 1-2 semanas na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de infecção por Parvovírus B19 em adultos?

Em adultos, a infecção por Parvovírus B19 pode causar sintomas inespecíficos como fadiga, febre baixa, mialgia e, em alguns casos, artralgia. A erupção cutânea clássica ("bochecha esbofeteada") é mais comum em crianças.

Como o Parvovírus B19 causa anemia?

O Parvovírus B19 tem tropismo por precursores eritroides na medula óssea, inibindo a eritropoiese e levando a uma aplasia pura de glóbulos vermelhos transitória, resultando em anemia, especialmente em pacientes com turnover eritroide aumentado.

Qual o tratamento para a anemia induzida por Parvovírus B19?

Na maioria dos casos, a anemia é autolimitada e não requer tratamento específico, exceto suporte transfusional se a anemia for grave. Em imunocomprometidos, imunoglobulina intravenosa pode ser considerada.

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