FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Apesar da disponibilidade da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), o Brasil registrou surtos de sarampo em diversos estados nos últimos anos, principalmente entre pessoas não vacinadas. Em uma comunidade X, acompanhada pela Estratégia Saúde da Família, Lucas, 3 anos, não vacinado, apresentou febre alta, tosse, conjuntivite e exantema maculopapular. Após avaliação clínica e investigação epidemiológica, o caso foi confirmado como sarampo. Considerando os conceitos epidemiológicos, qual das alternativas descreve corretamente a infectividade do sarampo?
Sarampo = Alta infectividade + Transmissão aérea + Contágio inicia 4 dias antes do exantema.
O sarampo possui um dos maiores índices de infectividade (R0 entre 12-18), infectando quase 100% dos suscetíveis expostos, com transmissão iniciada antes das manifestações exantemáticas.
O sarampo é uma doença viral aguda, grave e altamente contagiosa, causada por um RNA vírus da família Paramyxoviridae. No contexto epidemiológico, a infectividade é um parâmetro fundamental para entender a dinâmica de surtos. Diferente da patogenicidade (capacidade de causar doença) ou virulência (gravidade da doença), a infectividade do sarampo é intrinsecamente alta e independe do estado nutricional ou clínico do paciente, embora estes fatores influenciem o desfecho da doença. A reemergência do sarampo no Brasil, após anos de controle, ressalta a importância da cobertura vacinal homogênea. A vacina tríplice viral é a principal ferramenta de prevenção. Clinicamente, a doença evolui em fases (prodrômica, exantemática e de convalescença), sendo as complicações respiratórias e neurológicas as principais causas de morbimortalidade, especialmente em crianças desnutridas e imunocomprometidos.
O período de transmissibilidade do sarampo compreende desde 4 a 6 dias antes do aparecimento do exantema até 4 dias após o seu surgimento. É importante destacar que a maior carga viral e transmissibilidade ocorrem na fase prodrômica, caracterizada por febre, tosse e coriza, o que facilita a disseminação silenciosa do vírus antes do diagnóstico clínico definitivo baseado nas manchas de Koplik ou no exantema maculopapular.
A infectividade é a capacidade do agente etiológico de se alojar e multiplicar no hospedeiro. No caso do sarampo, essa capacidade é extrema; o vírus possui um número básico de reprodução (R0) estimado entre 12 e 18. Isso significa que, em uma população totalmente suscetível, um único indivíduo infectado pode transmitir a doença para até 18 outras pessoas, tornando-a uma das doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas pela medicina.
A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, principalmente por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus pode ser transmitido tanto por gotículas quanto por aerossóis, que permanecem suspensos no ar por várias horas em ambientes fechados. Essa característica de dispersão aérea explica por que o contato direto não é estritamente necessário para a infecção de indivíduos suscetíveis no mesmo ambiente.
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