UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020
Paciente do sexo feminino 22 anos, refere disúria e dor abdominal no quadrante inferior direito. O hemograma mostra leucocitose com desvio a esquerda, hematócrito normal, sumário de urina com leucocitúria discreta e ausência de hematúria. Encontra-se estável normotensa, febril, anorética e ao exame físico não se encontra dor a descompressão brusca na fossa ilíaca direita, mas ao realizar a manobra de hiperextensão da perna refere piora da dor. Observando essas informações a provável hipótese diagnóstica e o nome da manobra realizada que piorou a intensidade da dor é:
Apendicite retrocecal → dor exacerbada pela Manobra do Psoas (hiperextensão do quadril direito).
A apendicite aguda retrocecal pode apresentar sintomas atípicos, como disúria e ausência de dor à descompressão brusca, devido à localização do apêndice. A Manobra do Psoas, que estira o músculo psoas irritado pelo apêndice inflamado, é um sinal chave para essa apresentação.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, sendo a inflamação do apêndice vermiforme. Sua apresentação clínica pode variar amplamente dependendo da localização anatômica do apêndice, o que torna o diagnóstico um desafio, especialmente em casos atípicos. A localização retrocecal é uma dessas variações, onde o apêndice se posiciona atrás do ceco, podendo levar a sintomas menos localizados ou referidos, como disúria ou dor lombar. Nesses casos de apendicite retrocecal, a irritação do músculo psoas maior pelo apêndice inflamado é um achado semiológico importante. A Manobra do Psoas é realizada com o paciente em decúbito dorsal, solicitando-se a elevação da perna direita estendida contra resistência, ou com o paciente em decúbito lateral esquerdo, realizando-se a hiperextensão passiva da coxa direita. A presença de dor durante essa manobra sugere irritação do psoas e apendicite retrocecal. É fundamental que residentes e estudantes de medicina estejam cientes das apresentações atípicas da apendicite aguda para evitar atrasos no diagnóstico e tratamento, que podem levar a complicações graves como perfuração e peritonite. A combinação de achados clínicos, laboratoriais e de imagem, juntamente com a realização de manobras semiológicas específicas, é essencial para uma abordagem diagnóstica precisa e um manejo cirúrgico oportuno.
Os sinais clássicos incluem dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, vômitos, febre baixa e dor à descompressão brusca (sinal de Blumberg) na fossa ilíaca direita.
A Manobra do Psoas é positiva quando o apêndice inflamado está em contato com o músculo psoas. A hiperextensão da coxa direita estira o psoas, causando dor e indicando uma apendicite retrocecal ou retroileal, onde o apêndice irrita o músculo.
Os diagnósticos diferenciais são amplos e incluem adenite mesentérica, diverticulite de Meckel, doença inflamatória pélvica, cisto ovariano torcido, gravidez ectópica, infecção do trato urinário, litíase renal e gastroenterite.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo