Apendicite Aguda Retrocecal: Diagnóstico e Manobra do Psoas

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 22 anos, refere disúria e dor abdominal no quadrante inferior direito. O hemograma mostra leucocitose com desvio à esquerda, hematócrito normal, sumário de urina com leucocitúria discreta e ausência de hematúria. Encontra-se estável, normotensa, febril, anorética e ao exame físico não se encontra com dor a descompressão brusca na fossa ilíaca direita, mas ao realizar a manobra de hiperextensão da perna refere piora da dor. Observando essas informações, a provável hipótese diagnóstica e o nome da manobra realizada que piorou a intensidade da dor é:

Alternativas

  1. A) Prenhez ectópica rota, Manobra do Obturador.
  2. B) Apendicite Aguda pélvica - Manobra de Blumberg.
  3. C) Urolitíase - Manobra de Giordano.
  4. D) Apendicite aguda retrocecal - Manobra do Psoas.

Pérola Clínica

Apendicite retrocecal + dor à hiperextensão da perna → Manobra do Psoas positiva.

Resumo-Chave

A dor abdominal no quadrante inferior direito, febre, anorexia e leucocitose com desvio à esquerda são sugestivos de apendicite aguda. A ausência de dor à descompressão brusca (Blumberg negativo) e a piora da dor com a hiperextensão da perna (Manobra do Psoas positiva) são achados que apontam para uma localização retrocecal do apêndice, onde ele está em contato com o músculo psoas. A leucocitúria discreta pode ser irritativa devido à inflamação próxima ao ureter.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, e seu diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações. Embora a apresentação clássica envolva dor migratória para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas e vômitos, a localização anatômica do apêndice pode influenciar significativamente o quadro clínico. A paciente do caso apresenta sintomas sugestivos de apendicite, como dor no quadrante inferior direito, febre, anorexia e leucocitose. A ausência de dor à descompressão brusca (sinal de Blumberg negativo) não exclui o diagnóstico, especialmente em casos de apendicite retrocecal. Nesta localização, o apêndice inflamado pode estar em contato direto com o músculo psoas, e a irritação desse músculo resulta em dor quando ele é estirado, como na manobra de hiperextensão da perna (Manobra do Psoas positiva). A disúria e leucocitúria discreta podem ser explicadas pela proximidade do apêndice inflamado com o ureter, causando irritação secundária. Para residentes, é fundamental conhecer as variações anatômicas do apêndice e como elas afetam a apresentação clínica e os sinais semiológicos. A Manobra do Psoas, assim como a Manobra do Obturador e o sinal de Rovsing, são ferramentas valiosas no exame físico para auxiliar no diagnóstico diferencial e na localização do apêndice inflamado, especialmente em apresentações atípicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa.

Por que a Manobra do Psoas é importante na apendicite?

A Manobra do Psoas é positiva quando o apêndice inflamado está em contato com o músculo psoas (comum em apendicite retrocecal), causando dor à extensão do quadril ou flexão resistida.

Como a apendicite retrocecal pode se apresentar de forma atípica?

A apendicite retrocecal pode apresentar dor menos localizada, ausência de defesa abdominal ou Blumberg, e sintomas urinários (disúria, leucocitúria) devido à irritação do ureter adjacente.

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