Apendicite Perfurada: Manejo Pós-Operatório e Nutrição

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 30 anos, é submetido a laparotomia exploradora por quadro de dor abdominal em flanco direito com cinco dias de evolução. No intra-operatório observa-se grande quantidade de secreção purulenta em toda a cavidade abdominal e apendicite aguda com necrose e perfuração da base do apêndice. Em relação ao tratamento a ser realizado a este paciente, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada restrição hídrica na reanimação deste paciente, priorizando-se o uso de soluções cristaloides.
  2. B) O início da antibioticoterapia deve ser realizado após o resultado da análise da cultura do líquido intracavitário, que vai nortear a escolha do agente.
  3. C) A antibioticoterapia deve ser iniciada após o término do procedimento cirúrgico com a confirmação do diagnóstico e a definição dos germes envolvidos.
  4. D) A alimentação oral deste paciente deve ser reiniciada após o retorno dos ruídos intestinais e a eliminação de gases e avançada conforme for tolerada.
  5. E) No intra-operatório deve ser realizada irrigação da cavidade abdominal com antibiótico de amplo espectro após a retirada do apêndice e controle da infecção.

Pérola Clínica

Peritonite difusa por apendicite perfurada → ATB precoce, controle cirúrgico, reintrodução alimentar precoce pós-op.

Resumo-Chave

Em casos de peritonite difusa por apendicite perfurada, a reintrodução da alimentação oral deve ser guiada pelo retorno da função intestinal, como ruídos e eliminação de gases, e não por um período fixo de jejum. A antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente, e a reanimação hídrica é agressiva.

Contexto Educacional

A apendicite aguda perfurada com peritonite difusa é uma condição grave que exige manejo cirúrgico e clínico agressivo. Caracteriza-se pela inflamação e necrose do apêndice, levando à ruptura e disseminação de conteúdo infeccioso por toda a cavidade abdominal, resultando em sepse. A incidência de apendicite é alta, e a perfuração aumenta significativamente a morbimortalidade. O diagnóstico é clínico, com dor abdominal, febre e sinais de irritação peritoneal, confirmado por exames de imagem como tomografia. O tratamento envolve laparotomia exploradora, apendicectomia e lavagem da cavidade abdominal. A reanimação hídrica deve ser agressiva com cristaloides, e a antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada precocemente, cobrindo gram-negativos e anaeróbios, sem aguardar resultados de cultura. No pós-operatório, a reintrodução da alimentação oral deve ser feita progressivamente, assim que houver sinais de retorno da função intestinal (ruídos e eliminação de gases), e não por um período fixo de jejum prolongado. A irrigação da cavidade abdominal com antibióticos não é recomendada, pois não demonstrou benefício e pode aumentar a resistência. O foco é no controle da fonte de infecção, suporte hemodinâmico e antibioticoterapia sistêmica adequada.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da nutrição enteral precoce na peritonite?

A nutrição enteral precoce em pacientes com peritonite grave é crucial para manter a integridade da barreira intestinal, reduzir a translocação bacteriana e otimizar a resposta imunológica, acelerando a recuperação pós-operatória.

Quando iniciar a antibioticoterapia na peritonite difusa?

A antibioticoterapia deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente na primeira hora após o diagnóstico de sepse ou choque séptico, mesmo antes da cultura, com cobertura de amplo espectro para germes gram-negativos e anaeróbios.

Quais os sinais de retorno da função intestinal pós-cirurgia?

O retorno da função intestinal é indicado pela presença de ruídos hidroaéreos, eliminação de flatos e, posteriormente, evacuação. Estes sinais são fundamentais para guiar a reintrodução da dieta oral de forma progressiva.

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