Apendicite Perfurada: Antibióticos para Sepse Abdominal

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 43 anos de idade, foi admitida no Serviço de Emergência com dor abdominal há 6 dias. Refere que, desde o início do quadro, procurou duas vezes atendimento médico e foi liberada após analgesia e orientação de dieta. Tem diabetes melito e obesidade. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral; FC de 110 bpm; PA de 90x60 mmHg; FR de 18 ipm; ausculta torácica sem alterações; abdome: doloroso à palpação difusa com sinais de irritação peritoneal.Exames laboratoriais:Hb: 11,2g/dL Ht: 35%Leucograma: 23.558/mm³PCR: 271 mg/LCreatinina: 2,1 mg/dLUreia: 70 mg/dLpH: 7,31BE: - 8Lactato: 39 mg/dLFoi realizada tomografia de abdome que evidenciou líquido livre na cavidade em todos os quadrantes, decorrente de apendicite aguda. Na sala de emergência, foi realizada reanimação volêmica com 1 L de cristaloide e iniciada noradrenalina. Qual é o melhor esquema de antibiótico para o caso apresentado?

Alternativas

  1. A) Meropenem + vancomicina.
  2. B) Ertapenem + teicoplanina.
  3. C) Ceftriaxone + metronidazol.
  4. D) Ceftazidima + avibactam.

Pérola Clínica

Apendicite perfurada com peritonite e sepse → Ceftriaxone + Metronidazol (cobertura Gram- e anaeróbios).

Resumo-Chave

Paciente com apendicite aguda perfurada, peritonite difusa e sinais de sepse/choque séptico necessita de cobertura antibiótica de amplo espectro, incluindo Gram-negativos e anaeróbios, sendo a combinação de Ceftriaxone e Metronidazol uma escolha adequada para iniciar o tratamento empírico.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas mais comuns, e sua evolução para perfuração e peritonite difusa é uma complicação grave que exige manejo rápido e agressivo. A presença de sinais de sepse, como taquicardia, hipotensão e disfunção orgânica (creatinina e ureia elevadas, acidose metabólica), indica um quadro de sepse abdominal que requer atenção imediata. O tratamento da apendicite perfurada com peritonite envolve o controle da fonte de infecção (apendicectomia) e antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais prováveis em infecções intra-abdominais, que incluem bactérias Gram-negativas entéricas (como E. coli) e anaeróbios (como Bacteroides fragilis). A combinação de Ceftriaxone (uma cefalosporina de terceira geração com boa atividade contra Gram-negativos) e Metronidazol (excelente atividade contra anaeróbios) é um esquema amplamente recomendado e eficaz para infecções intra-abdominais comunitárias de gravidade moderada a grave. Outras opções podem incluir piperacilina-tazobactam ou carbapenêmicos, dependendo da gravidade e do perfil de resistência local. O suporte hemodinâmico e a reanimação volêmica são cruciais no paciente séptico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de apendicite aguda complicada com peritonite?

Sinais incluem dor abdominal difusa, irritação peritoneal (descompressão brusca dolorosa), febre, taquicardia, hipotensão e leucocitose elevada, além de líquido livre na cavidade em exames de imagem.

Por que a combinação de Ceftriaxone e Metronidazol é indicada para infecções intra-abdominais?

Ceftriaxone oferece excelente cobertura para bactérias Gram-negativas entéricas, enquanto o Metronidazol é eficaz contra bactérias anaeróbias, que são patógenos predominantes em infecções intra-abdominais como a apendicite perfurada.

Quais são os princípios do manejo inicial de um paciente com sepse abdominal por apendicite?

O manejo inicial inclui reanimação volêmica agressiva, início precoce de antibióticos de amplo espectro, controle da fonte de infecção (cirurgia) e suporte hemodinâmico, se necessário.

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