IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Menino, 10 anos de idade, é levado ao pronto-socorro por dor abdominal em hipogástrio há três dias, associada a náuseas, vômitos e disúria. Tem antecedente de herniorrafia inguinal bilateral aos seis meses de idade. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com temperatura axilar 37,9ºC. Abdome encontra-se plano, flácido, doloroso à palpação do hipogástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais revelaram leucócitos de 16.300/mm³ com desvio à esquerda, restante normal. O exame de urina apresenta leucócitos de 30.000/mm³ e nitrito negativo. Realizou exames de imagem, ilustrados a seguir: Considerando a principal hipótese diagnóstica para este paciente, qual é a conduta correta?
Apendicite pélvica → sintomas urinários (disúria/piuria) por irritação vesical direta.
A localização pélvica do apêndice mimetiza infecção urinária; a presença de febre e dor abdominal baixa exige internação e cirurgia.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico na infância. A apresentação clínica varia conforme a posição anatômica do apêndice. Na posição pélvica, a dor em hipogástrio e os sintomas urinários são frequentes, o que pode confundir o clínico. O diagnóstico é clínico-laboratorial, apoiado por imagem (ultrassonografia ou tomografia). Uma vez diagnosticada a apendicite com sinais de resposta inflamatória sistêmica (febre, leucocitose), a conduta é internação, hidratação, antibioticoterapia e apendicectomia.
Quando o apêndice está localizado na pelve, sua inflamação ocorre em contato direto ou proximidade com a parede da bexiga ou o ureter. Essa irritação local provoca a migração de leucócitos para o trato urinário, gerando leucocitúria (piúria) e sintomas como disúria e polaciúria, mesmo na ausência de infecção bacteriana urinária (nitrito geralmente negativo).
A leucocitose significativa (16.300/mm³) com desvio à esquerda (presença de formas jovens de neutrófilos) é um marcador forte de processo inflamatório/infeccioso agudo bacteriano, reforçando a hipótese de abdome agudo inflamatório (apendicite) em detrimento de quadros virais ou cistites simples.
A abordagem pode ser via laparoscópica (padrão-ouro atual) ou via laparotomia (abdominal). O termo 'abordagem cirúrgica via abdominal' engloba ambas e é a conduta definitiva para apendicite aguda, associada à antibioticoterapia venosa para cobertura de germes gram-negativos e anaeróbios.
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