HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020
Menina de 9 anos, previamente hígida, foi levada ao pronto atendimento com história de 1 dia de febre baixa, dor abdominal difusa e vômitos não biliosos. Ao exame, apresentava abdome flácido, com ruídos hidroaéreos e com dor à palpação difusa. Recebeu alta com orientação de hidratação oral. Retorna após 24 horas com piora da dor e dos vômitos. Ao exame, está em regular estado geral, com febre de 38,5 °C, taquicárdica, com pulsos rápidos e cheios, taquipneica com respiração rápida e curta. O exame de orofaringe, ausculta cardíaca e pulmonar estão sem alterações, com ausência de sinais meníngeos e pele sem lesões. O abdome está tenso, com ruídos hidroaéreos diminuídos e muito doloroso difusamente. O hemograma apresenta leucocitose com desvio à esquerda, urina tipo I com corpos cetônicos 2+/4, esterase leucocitária +/4, glicosúria e nitrito negativos, leucócitos = 20000/mm³ e eritrócitos = 3000/mm³ . A principal hipótese diagnóstica é:
Piora de dor abdominal difusa + febre + vômitos + abdome tenso + leucocitose = Apendicite perfurada.
A apendicite aguda em crianças pode ter apresentação atípica, mas a progressão de dor abdominal difusa para localizada, associada a febre, vômitos, sinais de irritação peritoneal (abdome tenso, dor difusa) e leucocitose com desvio à esquerda, sugere fortemente uma apendicite perfurada, mesmo com achados urinários que podem confundir.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em crianças, e seu diagnóstico pode ser desafiador devido à apresentação atípica e à dificuldade de comunicação dos sintomas em pacientes pediátricos. A perfuração do apêndice é uma complicação grave que aumenta a morbidade e a mortalidade. A apresentação clínica da apendicite perfurada em crianças frequentemente inclui uma história de dor abdominal que se agrava, febre, vômitos e sinais de peritonite generalizada, como abdome tenso e dor difusa. Achados laboratoriais como leucocitose com desvio à esquerda são comuns. É crucial considerar a apendicite mesmo com achados urinários alterados, pois a inflamação pode irradiar para o trato urinário adjacente. O manejo da apendicite aguda perfurada é cirúrgico, com apendicectomia, e requer antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir a flora polimicrobiana da cavidade abdominal. O atraso no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de complicações como abscessos intra-abdominais e sepse, reforçando a necessidade de alta suspeição clínica em crianças com dor abdominal progressiva.
Sinais de alerta incluem piora progressiva da dor abdominal, que pode se tornar difusa, febre alta, vômitos persistentes, taquicardia, taquipneia e sinais de irritação peritoneal ao exame físico, como abdome tenso, dor à descompressão e diminuição dos ruídos hidroaéreos.
Em casos de apendicite aguda, a urina tipo I pode apresentar leucocitúria e/ou hematúria leves devido à irritação do ureter ou bexiga pelo apêndice inflamado, especialmente se ele estiver em posição pélvica. No entanto, nitritos e glicosúria negativos, como no caso, ajudam a afastar infecção urinária primária ou cetoacidose diabética.
A leucocitose com desvio à esquerda (aumento de bastões e segmentados) indica uma resposta inflamatória sistêmica significativa, sendo um achado comum e importante na apendicite aguda, especialmente em casos de perfuração, onde a infecção se dissemina para a cavidade peritoneal.
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