Apendicite Aguda Pediátrica: Sinais e Diagnóstico

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 5 anos foi levada a um serviço de urgência por febre e dor abdominal difusa progressiva, que piorava ao tossir e andar, com três dias de evolução. Ao exame físico foi notada sensibilidade máxima da dor no quadrante inferior direito. Na oportunidade foram solicitados hemograma, que revelou leucocitose com desvio à esquerda e exame de urina, que não mostrou alterações significativas. Diante do quadro, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O toque retal é importante para o diagnóstico de apendicite, devendo ser realizado de rotina.
  2. B) O uso de analgésicos não está recomendado pela possibilidade de mascarar o quadro clínico e dificultar o diagnóstico de apendicite.
  3. C) Sensibilidade local com alguma rigidez da parede abdominal no ponto de McBurney ou próximo a ele é o sinal clínico mais confiável de apendicite aguda.
  4. D) A procalcitonina contribui de forma significativa para o diagnóstico de apendicite e deve ser realizada de rotina em crianças.

Pérola Clínica

Apendicite aguda: Dor abdominal migratória + sensibilidade em McBurney + rigidez = Sinal mais confiável.

Resumo-Chave

Na apendicite aguda pediátrica, a sensibilidade e rigidez no ponto de McBurney são os sinais clínicos mais confiáveis, mesmo que o quadro inicial possa ser atípico. A dor abdominal progressiva que piora com movimentos e a leucocitose com desvio à esquerda reforçam a suspeita.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de dor abdominal aguda que requer cirurgia em crianças. O diagnóstico pode ser desafiador na faixa etária pediátrica devido à dificuldade de comunicação dos sintomas e à apresentação atípica. No entanto, a suspeita clínica é fundamental e baseia-se em uma combinação de história, exame físico e exames laboratoriais. A criança de 5 anos apresenta um quadro clássico de dor abdominal migratória, febre, piora com movimentos e sensibilidade máxima no quadrante inferior direito, com leucocitose. O exame físico é a pedra angular do diagnóstico. A sensibilidade local com alguma rigidez da parede abdominal no ponto de McBurney (localizado a um terço da distância entre a espinha ilíaca anterossuperior direita e o umbigo) ou próximo a ele é o sinal clínico mais confiável de apendicite aguda. Outros sinais como o sinal de Rovsing (dor no QID à palpação do QIE), sinal do psoas e sinal do obturador também podem estar presentes, mas a sensibilidade em McBurney é o mais consistente. A alternativa C está correta. Em relação às outras alternativas: o toque retal não é recomendado de rotina em crianças com suspeita de apendicite (A); o uso de analgésicos é recomendado e não mascara o quadro, podendo até facilitar o exame (B); a procalcitonina não é um marcador de rotina para diagnóstico de apendicite e sua contribuição é limitada (D). A avaliação cuidadosa e a reavaliação são essenciais, e exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico em casos duvidosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda em crianças?

Os sintomas incluem dor abdominal periumbilical que migra para o quadrante inferior direito, anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa. Ao exame, sensibilidade e rigidez no ponto de McBurney são comuns.

O toque retal é sempre necessário para o diagnóstico de apendicite em crianças?

O toque retal não é recomendado de rotina em crianças com suspeita de apendicite, pois é um procedimento invasivo e raramente adiciona informações diagnósticas significativas que não possam ser obtidas pelo exame abdominal.

A analgesia pode ser utilizada em crianças com dor abdominal aguda suspeita de apendicite?

Sim, a analgesia deve ser administrada precocemente para aliviar o sofrimento da criança. Estudos mostram que ela não mascara o quadro clínico nem dificulta o diagnóstico, podendo até facilitar o exame físico.

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