Dor Abdominal Pediátrica: Emergências Cirúrgicas e Diagnóstico

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Dor abdominal é queixa frequente em crianças e adolescentes que procuram unidade de emergência pediátrica. Embora a maioria dos casos envolva condições autolimitadas, a dor abdominal pode ser o sintoma inicial de doenças de apresentação grave e das emergências cirúrgicas. Diante do exposto, assinale a alternativa errada:

Alternativas

  1. A) Êmese volumosa, não biliosa, pós-alimentar, com manutenção do apetite e boa sucção são as principais características clínicas de estenose hipertrófica de piloro.
  2. B) A intussuscepção intestinal é a principal causa de obstrução intestinal na faixa etária de 3 meses a 6 anos, com pico de incidência entre 5 e 9 meses.
  3. C) Ultrassonografia de abdome superior é o exame indicado para a confirmação diagnóstica de estenose hipertrófica do piloro.
  4. D) A clássica apresentação clínica da apendicite aguda com dor periumbilical migratória, associada a vômitos e febre, é comum em crianças menores de 4 anos, sendo rara a taxa de perfuração do órgão e presença de peritonite.
  5. E) A gastroenterite causada pelo rotavírus é a causa mais comum de diarreia com sangue em bebês e crianças com menos de 5 anos.

Pérola Clínica

Apendicite aguda em < 4 anos: apresentação atípica, diagnóstico difícil, alta taxa de perfuração e peritonite.

Resumo-Chave

Em crianças pequenas (< 4 anos), a apendicite aguda tem apresentação clínica atípica e inespecífica, o que dificulta o diagnóstico precoce. Isso leva a uma alta taxa de perfuração e peritonite no momento do diagnóstico, tornando a alternativa D incorreta.

Contexto Educacional

A dor abdominal é uma das queixas mais comuns em unidades de emergência pediátricas, abrangendo um amplo espectro de condições, desde autolimitadas até emergências cirúrgicas com risco de vida. O desafio reside em diferenciar rapidamente as causas benignas das graves, exigindo um alto índice de suspeita e uma avaliação clínica cuidadosa. Condições como estenose hipertrófica de piloro, intussuscepção intestinal e apendicite aguda são exemplos de emergências cirúrgicas pediátricas. A estenose de piloro tipicamente se apresenta com vômitos volumosos, não biliosos, pós-alimentares em lactentes jovens, com apetite preservado. A intussuscepção é a principal causa de obstrução intestinal em crianças de 3 meses a 6 anos, com dor abdominal intermitente e fezes em geleia de framboesa. A apendicite aguda em crianças, especialmente em menores de 4 anos, é particularmente desafiadora. Nesses pacientes, a apresentação clássica com dor periumbilical migratória para fossa ilíaca direita é menos comum. A dor pode ser difusa, e sintomas como vômitos e febre são mais proeminentes. Devido à dificuldade diagnóstica e à incapacidade da criança de localizar a dor, a taxa de perfuração apendicular e peritonite é significativamente maior nessa faixa etária, tornando a apendicite uma condição de alta morbidade em crianças pequenas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para dor abdominal grave em crianças?

Sinais de alerta incluem dor intensa, vômitos biliosos ou persistentes, distensão abdominal, febre alta, sangue nas fezes, irritabilidade excessiva, letargia e ausência de evacuações/flatulência.

Como a apendicite aguda se manifesta em crianças pequenas?

Em crianças menores de 4 anos, a apendicite aguda é frequentemente atípica, com dor difusa, vômitos e febre mais proeminentes, e sinais de irritação peritoneal menos localizados, levando a um diagnóstico tardio e maior risco de perfuração.

Qual o papel da ultrassonografia na avaliação da dor abdominal pediátrica?

A ultrassonografia é um exame de imagem de primeira linha na pediatria para dor abdominal, sendo excelente para diagnosticar estenose hipertrófica de piloro, intussuscepção, apendicite e outras condições, por ser não invasiva e não utilizar radiação.

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