Apendicite Aguda em Crianças: Diagnóstico e Sinais Chave

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menina de 4 anos dá entrada na emergência com dor abdominal há 2 dias, apresentou alguns episódios de vômitos, pouca aceitação alimentar e diminuição da diurese. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com temperatura axilar de 37,9 ºC, chorosa, desidratada de algum grau. O abdome está distendido, com diminuição de ruídos hidroaéreos, sem massa palpável e doloroso à palpação em fossa ilíaca direita. Sem outras alterações ao exame físico. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) gastroenterocolite aguda.
  2. B) infecção do trato urinário.
  3. C) apendicite aguda.
  4. D) suboclusão intestinal.

Pérola Clínica

Criança com dor abdominal FID, vômitos, febre, RHA ↓, desidratação → Apendicite aguda até prova em contrário.

Resumo-Chave

Apresentação clássica de apendicite aguda em crianças pode ser atípica, mas a dor abdominal em fossa ilíaca direita, vômitos, febre e sinais de irritação peritoneal (mesmo que sutis, como diminuição de ruídos hidroaéreos e dor à palpação) em uma criança desidratada são altamente sugestivos, exigindo alta suspeição e investigação imediata.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum na infância, mas seu diagnóstico pode ser desafiador devido à apresentação clínica atípica em crianças pequenas. A demora no diagnóstico e tratamento pode levar à perfuração do apêndice, peritonite e sepse, aumentando significativamente a morbidade. A paciente do caso apresenta um quadro altamente sugestivo, com dor abdominal progressiva, vômitos, febre baixa, desidratação e dor localizada em fossa ilíaca direita com diminuição de ruídos hidroaéreos, que são achados clássicos. A fisiopatologia da apendicite envolve a obstrução do lúmen apendicular, levando à inflamação, isquemia e, se não tratada, perfuração. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. Em crianças, é crucial ter alta suspeição e considerar a apendicite mesmo com sintomas menos específicos. A dor que migra para a fossa ilíaca direita, a presença de vômitos e febre, e a dor à palpação localizada são sinais de alerta. Para residentes, o manejo da dor abdominal em crianças exige uma abordagem sistemática e a capacidade de diferenciar condições benignas de emergências cirúrgicas. A apendicite aguda é um diagnóstico que não pode ser perdido. A avaliação cuidadosa, a reavaliação periódica e, se necessário, o uso de exames de imagem como a ultrassonografia, são fundamentais para um diagnóstico precoce e a indicação oportuna da apendicectomia, que é o tratamento definitivo. A atenção à desidratação e ao estado geral da criança também é vital para o manejo pré-operatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas mais comuns de apendicite aguda em crianças?

Os sinais e sintomas mais comuns incluem dor abdominal que geralmente começa periumbilical e migra para a fossa ilíaca direita, vômitos, febre baixa, anorexia e diminuição da aceitação alimentar. Ao exame físico, pode haver dor à palpação em fossa ilíaca direita, descompressão brusca positiva e diminuição dos ruídos hidroaéreos.

Como diferenciar apendicite aguda de gastroenterocolite aguda em crianças?

A gastroenterocolite aguda geralmente apresenta dor abdominal difusa, diarreia proeminente e vômitos mais intensos, enquanto a apendicite tende a ter dor localizada na fossa ilíaca direita, vômitos menos proeminentes e ausência de diarreia ou diarreia leve. A febre na apendicite é geralmente baixa, e a descompressão brusca é um sinal mais específico de irritação peritoneal.

Quais exames complementares são úteis para confirmar o diagnóstico de apendicite em crianças?

Em crianças, a ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de primeira linha, devido à ausência de radiação. Exames laboratoriais como hemograma (leucocitose com desvio à esquerda) e PCR elevado podem apoiar a suspeita. Em casos duvidosos, a tomografia computadorizada pode ser considerada, mas com cautela devido à radiação.

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