Apendicite Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 9 anos de idade, é trazida pela mãe ao pronto socorro devido a quadro de dor abdominal. Refere que a dor iniciou em região periumbilical há 1 dia e migrou para a fossa ilíaca direita (FID), evoluindo com piora da sua intensidade e presença de astenia e vômito. Nega diarréia, febre e sintomas urinários. Ao exame físico, a paciente se apresenta em bom estado geral, afebril, eupneica e hemodinamicamente estável. Seu abdome é plano, flácido, doloroso à palpação profunda em FID, com descompressão brusca dolorosa. Leucograma: 12.000 com desvio à esquerda. Proteína C reativa: 48mg/dl. Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Provavelmente esta paciente não terá indicação para drenagem da cavidade abdominal póscirúrgica.
  2. B) Apesar dos dados clínicos e laboratoriais sugerirem adequadamente o diagnóstico, este deve ser confirmado mediante tomografia de abdome.
  3. C) Caso a paciente seja submetida a abordagem cirúrgica imediata, provavelmente a dose única de ceftriaxona e metronidazol administrada até 2 horas antes da cirurgia será suficiente no seu tratamento.
  4. D) Caso a abordagem cirúrgica não possa ser realizada imediatamente, seja por disponibilidade profissional ou material do hospital local, o tratamento inicial com antibióticos e a postergação de cirurgia por 12 horas provavelmente não acarretará grande prejuízo a este paciente.

Pérola Clínica

Apendicite aguda típica (clínica + lab) em criança → diagnóstico clínico, TC não é rotina.

Resumo-Chave

Em casos de apendicite aguda com apresentação clínica e laboratorial clássica, especialmente em crianças, o diagnóstico é primariamente clínico. A tomografia de abdome, embora útil em casos atípicos ou duvidosos, não é obrigatória e pode atrasar a intervenção cirúrgica, que é o tratamento definitivo.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico em crianças e adolescentes. Sua importância reside na necessidade de diagnóstico precoce para evitar complicações graves como perfuração e peritonite. A apresentação clínica clássica, com dor migratória, náuseas, vômitos e anorexia, é fundamental para a suspeita diagnóstica. O diagnóstico da apendicite aguda em crianças é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. Achados laboratoriais como leucocitose com desvio à esquerda e elevação da proteína C reativa reforçam a suspeita. Embora exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada sejam úteis, a TC não é rotineiramente necessária em casos com apresentação típica, pois pode atrasar a cirurgia e expor a criança à radiação. O tratamento definitivo é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. A administração de antibióticos profiláticos é padrão. Em casos não complicados, um breve período de observação com antibioticoterapia pode ser aceitável se a cirurgia não puder ser realizada imediatamente, mas a intervenção cirúrgica é o padrão ouro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda em crianças?

A apendicite aguda em crianças tipicamente começa com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas, vômitos e anorexia. Pode haver febre baixa e dor à descompressão brusca.

Quando a tomografia computadorizada é indicada para o diagnóstico de apendicite aguda?

A TC é indicada em casos de apresentação atípica, dúvida diagnóstica, ou quando há suspeita de complicações como abscesso. Em apresentações clínicas e laboratoriais clássicas, o diagnóstico é predominantemente clínico.

Qual o papel dos antibióticos no tratamento da apendicite aguda não complicada?

Em apendicite aguda não complicada, uma dose única de antibiótico profilático (ex: ceftriaxona + metronidazol) administrada antes da cirurgia é geralmente suficiente para reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico.

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