Apendicite Aguda Não Complicada: Conduta e Antibioticoprofilaxia

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 16 anos, é atendido no pronto socorro apresentando quadro de dor tipo cólica em epigástrio que migrou para Fossa Ilíaca Direita há 2 dias, associada a vômitos e 1 episódio de febre baixa. Seu estado geral é bom e o paciente se encontra hemodinamicamente estável. O hemograma evidenciou 18.000 leucócitos com desvio à esquerda e a Proteína C Reativa era 35 mg/dl. Para a tomada da decisão terapêutica deste paciente, foi realizada tomografia de abdome com contraste venoso que evidenciou apêndice aumentado de volume, paredes espessadas, contendo fecalito no seu interior, sem sinais de perfuração ou abscesso.Sobre a conduta do caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Por tratar-se de apendicite aguda não complicada, este paciente seria bom candidato para manejo não-cirúrgico, com antibioticoterapia exclusiva.
  2. B) Caso a tomografia evidenciasse abscesso intracavitário, a abordagem laparoscópica estaria contraindicada.
  3. C) Se a abordagem cirúrgica confirmar os achados tomográficos, a dose única de Cefoxitina durante a indução anestésica deve ser suficiente no tratamento deste paciente.
  4. D) Os dados nos permitem afirmar que a melhor conduta para o caso é apendicectomia convencional urgente, com pós-operatório em unidade de tratamento semi-intensiva.

Pérola Clínica

Apendicite não complicada com fecalito → apendicectomia, dose única ATB profilático.

Resumo-Chave

Em casos de apendicite aguda não complicada, especialmente com presença de fecalito, a apendicectomia é a conduta padrão. A profilaxia antibiótica com dose única de Cefoxitina na indução anestésica é geralmente suficiente, visando cobrir bactérias entéricas e reduzir o risco de infecção do sítio cirúrgico.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, especialmente em adolescentes e adultos jovens. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em sintomas como dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa. Exames laboratoriais como leucocitose com desvio à esquerda e PCR elevada são sugestivos, e exames de imagem como a tomografia de abdome com contraste são úteis para confirmar o diagnóstico e avaliar complicações. A presença de um fecalito no lúmen apendicular é um fator de risco para obstrução e progressão da doença, aumentando a probabilidade de perfuração. Em casos de apendicite aguda não complicada, ou seja, sem perfuração, abscesso ou peritonite difusa, a apendicectomia é o tratamento definitivo e mais recomendado. A abordagem pode ser laparoscópica, que oferece vantagens como menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida, ou convencional (aberta). A antibioticoprofilaxia cirúrgica é essencial para reduzir o risco de infecções do sítio cirúrgico. Para apendicectomias, uma dose única de antibiótico com cobertura para flora entérica, como a Cefoxitina, administrada na indução anestésica, é geralmente suficiente em casos não complicados. O manejo pós-operatório em unidade de tratamento semi-intensiva não é rotineiro para apendicite não complicada, sendo o paciente geralmente acompanhado em enfermaria.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta padrão para apendicite aguda não complicada com fecalito?

A conduta padrão para apendicite aguda não complicada com fecalito é a apendicectomia (cirúrgica), seja por via laparoscópica ou convencional, devido ao maior risco de falha do tratamento conservador.

Quando a antibioticoterapia exclusiva é considerada para apendicite?

A antibioticoterapia exclusiva pode ser considerada em casos muito selecionados de apendicite aguda não complicada, sem fecalito e sem sinais de perfuração ou abscesso, mas a taxa de recorrência ou falha ainda é um fator a ser avaliado.

Qual o papel da Cefoxitina na apendicectomia?

A Cefoxitina é um antibiótico com boa cobertura para bactérias entéricas (gram-negativos e anaeróbios) e é frequentemente utilizada como dose única na indução anestésica para profilaxia de infecção do sítio cirúrgico em apendicectomias.

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