Estudo APPAC: Antibióticos vs Cirurgia na Apendicite

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

No ano de 2015 foi publicado o estudo APPAC que comparou o tratamento cirúrgico contra o uso de antibióticos na apendicite não complicada. O resultado do acompanhamento dos pacientes por mais 5 anos foi publicado em 2018. O estudo foi desenhado da seguinte forma: 530 pacientes com idade entre 18 e 60 anos, com apendicite confirmada, foram randomizados para receber tratamento cirúrgico por meio de apendicectomia ou então terapia antimicrobiana isolada. Os pacientes foram então analisados por 5 anos, tendo como desfechos a recorrência, a taxa de complicações e o tempo de hospitalização. O resultado do estudo está na tabela abaixo: Sobre o resultado do estudo, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O grupo submetido a tratamento clínico apresentou uma incidência menor de complicações do que o grupo submetido ao tratamento cirúrgico, com significância estatística.
  2. B) O grupo submetido a tratamento clínico apresentou uma incidência maior de dor abdominal do que o grupo submetido ao tratamento cirúrgico, com significância estatística.
  3. C) O grupo submetido a tratamento clínico apresentou uma incidência menor de complicações do que o grupo submetido ao tratamento cirúrgico, porém sem significância estatística.
  4. D) O grupo submetido a tratamento clínico apresentou uma incidência menor de hérnia incisional do que o grupo submetido ao tratamento cirúrgico, com significância estatística.
  5. E) O grupo submetido a tratamento clínico apresentou uma incidência maior de sintomas obstrutivos do que o grupo submetido ao tratamento cirúrgico, com significância estatística.

Pérola Clínica

Apendicite não complicada: Antibióticos ↓ complicações imediatas, mas ↑ taxa de recorrência em 5 anos.

Resumo-Chave

O estudo APPAC demonstrou que o tratamento clínico da apendicite não complicada é seguro e apresenta menos complicações que a cirurgia, embora 39% dos pacientes operem em 5 anos.

Contexto Educacional

O manejo da apendicite aguda evoluiu de uma indicação cirúrgica absoluta para uma abordagem mais matizada em casos não complicados. O estudo APPAC foi um marco ao fornecer dados de longo prazo (5 anos) comparando a apendicectomia aberta com um regime de antibióticos (ertapenem seguido de levofloxacino e metronidazol). A relevância clínica reside na redução de complicações cirúrgicas, como infecções e hérnias incisionais, no grupo clínico. Entretanto, a eficácia global do tratamento conservador é limitada pela taxa de falha terapêutica e recorrência, que chega a quase 40% em 5 anos. Para o residente, entender que a cirurgia permanece o padrão-ouro pela resolutividade, mas que o tratamento clínico é uma alternativa viável e segura para pacientes selecionados que desejam evitar a cirurgia imediata, é essencial para a prática baseada em evidências.

Perguntas Frequentes

O que o estudo APPAC concluiu sobre complicações?

O estudo APPAC (Appendicitis Acuta) mostrou que o grupo tratado inicialmente com antibióticos apresentou uma taxa significativamente menor de complicações (como infecções de sítio cirúrgico e hérnias) em comparação ao grupo submetido à apendicectomia aberta. No entanto, é fundamental notar que o tratamento clínico não atingiu o critério de não-inferioridade pré-estabelecido devido à taxa de recorrência da doença ao longo do tempo.

Qual a taxa de recorrência da apendicite após tratamento clínico?

No acompanhamento de 5 anos do estudo APPAC, aproximadamente 39,1% dos pacientes que receberam inicialmente apenas antibioticoterapia acabaram necessitando de uma apendicectomia devido à recorrência da apendicite. A maioria dessas recorrências ocorre no primeiro ano, mas o risco persiste de forma decrescente nos anos subsequentes.

Quais pacientes podem ser candidatos ao tratamento clínico?

Os critérios de inclusão do APPAC focaram em adultos (18-60 anos) com apendicite aguda não complicada confirmada por tomografia computadorizada (ausência de apendicólito, perfuração, abscesso ou tumor). Na prática clínica, a decisão deve ser compartilhada, discutindo-se a menor morbidade imediata do antibiótico versus o risco de falha e recorrência futura.

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