Apendicite Aguda na Infância: Diagnóstico e Particularidades

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Você está de plantão em um Pronto Atendimento e avalia uma criança de 4 anos de idade com quadro, há dois dias, de febre alta, inapetência, vômitos e dor abdominal aguda, em cólica, com piora ao deambular. Há relato de piora progressiva. Os pais estão ansiosos e pensam que pode ser apendicite. Considerando as causas de dor abdominal aguda na infância, assinale a alternativa ERRADA:

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda é a causa mais comum de dor abdominal de indicação cirúrgica em lactentes, sendo o diagnóstico difícil face à apresentação atípica e à dificuldade de se obter a história clínica e realizar o exame físico.
  2. B) A radiografia simples de abdome pode mostrar sinais de alerta como o apagamento do músculo psoas no quadrante inferior direito, a presença de alça sentinela, níveis líquidos em alça intestinal, massa intra-abdominal e fecálito.
  3. C) Em crianças menores de 3 anos de idade, devido à dificuldade em diagnosticar apendicite, a taxa de perfuração é alta, ocorrendo geralmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas clínicos.
  4. D) Os escores de Alvarado e o PAS (Pediatric Appendicitis Score) utilizam elementos da história clínica, exame físico e resultados de exames laboratoriais para identificação de pacientes com alta probabilidade de apendicite.

Pérola Clínica

Apendicite é rara em lactentes; a causa cirúrgica mais comum nessa faixa é a intussuscepção.

Resumo-Chave

Embora a apendicite seja a causa cirúrgica mais comum em crianças escolares, em lactentes (menores de 2 anos) ela é rara e o diagnóstico costuma ser tardio.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum na infância, mas sua incidência aumenta com a idade, sendo máxima na adolescência. Em lactentes, a apresentação é frequentemente atípica (irritabilidade, distensão abdominal), o que contribui para altas taxas de complicações.\n\nO diagnóstico baseia-se na clínica e pode ser auxiliado por ultrassonografia (primeira escolha em crianças devido à ausência de radiação) ou tomografia computadorizada. O tratamento é a apendicectomia, associada a antibioticoterapia, especialmente nos casos de perfuração.

Perguntas Frequentes

Por que a taxa de perfuração é maior em crianças menores de 3 anos?

Crianças pequenas têm dificuldade em localizar a dor e descrever sintomas, o que atrasa o diagnóstico. Além disso, o omento é menos desenvolvido nessa idade, o que dificulta o bloqueio do processo inflamatório, levando a uma progressão mais rápida para peritonite generalizada após a perfuração.

Quais os sinais radiológicos de apendicite na radiografia simples?

Embora não seja o padrão-ouro, a radiografia pode mostrar escoliose antálgica, apagamento da sombra do psoas, presença de um fecálito radiopaco (sinal patognomônico em contexto clínico), alça sentinela no quadrante inferior direito e níveis hidroaéreos sugestivos de íleo localizado.

O que avaliam os escores de Alvarado e PAS?

Ambos utilizam critérios como migração da dor, anorexia, náuseas/vômitos, defesa no quadrante inferior direito, descompressão dolorosa, febre, leucocitose e desvio à esquerda. O PAS é especificamente validado para a população pediátrica e ajuda a estratificar o risco e a necessidade de exames de imagem adicionais.

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