UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
A respeito da apendicite aguda no paciente geriátrico, analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA: I - 5% a 10% dos casos ocorrem em pacientes dessa faixa etária. II - Quase um terço dos pacientes terá dor abdominal difusa não localizável. III - A contagem de leucócitos é normal em 20% a 50% dos casos.
Idoso com dor abdominal → pensar em apendicite mesmo com leucograma normal e dor difusa.
A apendicite no idoso apresenta alta morbimortalidade devido ao diagnóstico tardio. A ausência de sinais clássicos como febre, leucocitose e dor localizada em fossa ilíaca direita é comum.
A apendicite aguda no idoso exige um alto índice de suspeição clínica. A fisiopatologia envolve a obstrução do lúmen apendicular, frequentemente por fecalitos, mas com uma progressão para gangrena muito mais acelerada pela fragilidade vascular tecidual. O quadro clínico 'atípico' é, na verdade, o padrão esperado para o paciente geriátrico, onde a polifarmácia (uso de analgésicos e corticoides) pode mascarar ainda mais os sintomas. O exame de escolha é a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste, que possui alta sensibilidade e especificidade, além de auxiliar no diagnóstico diferencial com diverticulite, neoplasias colônicas e isquemia mesentérica. O tratamento é cirúrgico (apendicectomia, preferencialmente laparoscópica), e o retardo operatório é o principal fator determinante para o prognóstico desfavorável e internações prolongadas em UTI.
Diferente do adulto jovem, o idoso frequentemente apresenta uma resposta inflamatória atenuada. A dor abdominal pode ser vaga, difusa ou localizada em regiões atípicas devido a alterações na percepção sensorial e maior complacência da parede abdominal. Além disso, a progressão para perfuração é mais rápida no idoso (até 50-70% no momento do diagnóstico) devido à atrofia da parede do apêndice e aterosclerose das artérias apendiculares, que facilita a isquemia. A ausência de febre e sinais de irritação peritoneal clássicos contribui para o atraso diagnóstico e aumento da mortalidade.
O leucograma é significativamente menos confiável no paciente geriátrico. Estudos mostram que entre 20% a 50% dos idosos com apendicite aguda confirmada apresentam contagem de leucócitos dentro da faixa de normalidade. Isso ocorre pela menor reserva medular e resposta imunológica senescente. Portanto, a ausência de leucocitose não deve ser utilizada para excluir o diagnóstico. O desvio à esquerda, mesmo com contagem global normal, pode ser um indício mais útil, mas a suspeita clínica deve sempre levar à investigação por imagem (Tomografia Computadorizada).
Aproximadamente 5% a 10% de todos os casos de apendicite aguda ocorrem em pacientes com mais de 60 anos. Apesar de ser menos frequente que em jovens, é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico nessa população após as doenças biliares. Quase um terço desses pacientes relata dor abdominal difusa em vez da clássica migração da dor para a fossa ilíaca direita. Devido a esses fatores, o índice de complicações, como peritonite e abscesso, é proporcionalmente muito maior do que na população geral.
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