FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015
Paciente grávida, de 22 de idade, apresenta-se à emergência com dor abdominal e mal-estar. Os sintomas começaram cerca de 8 horas antes e não relata diarreia. Neste momento, a dor é principalmente no flanco direito, mas teve início na região periumbilical. Apresenta náuseas e vômitos. Até agora teve uma gravidez sem complicação e encontra-se na 24ª semana de gestação. Recebe acompanhamento obstétrico regular e seu último exame, incluindo eco, há 1 semana atrás estava normal. A temperatura axilar é de 37,9°C, a pressão arterial é de 129/90 mmHg e a frequência cardíaca de 105 bpm. O exame físico demonstra leve dor abdominal. O abdome está depressível, doloroso no quadrante inferior direito com ruídos intestinais diminuídos, e preservação do ângulo costovertebral. O monitoramento fetal demonstra frequência cardíaca fetal normal. A contagem de leucócitos é de 10.000/µL. A análise da urina demonstra 2 leucócitos por campo de grande aumento, ausência de células epiteliais e 1 hemácia por campo de grande aumento. Qual é o diagnóstico mais provável?
Apendicite em gestante: dor periumbilical → flanco direito, náuseas/vômitos, febre baixa, leucocitose discreta.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo não obstétrico na gravidez. A apresentação clínica pode ser atípica devido ao deslocamento do apêndice pelo útero gravídico, tornando o diagnóstico mais desafiador.
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais comum durante a gravidez, ocorrendo em cerca de 1 a cada 1.500 gestações. Seu diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves, como perfuração e peritonite, que aumentam significativamente a morbimortalidade materno-fetal. A apresentação clínica da apendicite na gestação pode ser atípica devido às alterações anatômicas e fisiológicas. O útero gravídico desloca o apêndice para cima e lateralmente, alterando a localização da dor. A leucocitose fisiológica da gravidez também pode mascarar o quadro. A suspeita clínica é fundamental, e exames de imagem como ultrassonografia e ressonância magnética são úteis para confirmação. O tratamento da apendicite aguda em gestantes é a apendicectomia, que deve ser realizada o mais rápido possível. A abordagem laparoscópica é segura e preferível, especialmente no segundo trimestre. O manejo pós-operatório deve incluir monitoramento fetal e tocolíticos, se necessário, para prevenir trabalho de parto prematuro.
Os sintomas podem ser atípicos, mas incluem dor abdominal que migra do periumbilical para o flanco direito, náuseas, vômitos e febre baixa. A localização da dor pode variar com a idade gestacional.
A ultrassonografia é o método inicial, mas a ressonância magnética (RM) sem contraste é o exame de imagem mais preciso e seguro para confirmar o diagnóstico em gestantes.
O tratamento é cirúrgico (apendicectomia), preferencialmente por via laparoscópica, independentemente da idade gestacional, para evitar complicações materno-fetais.
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