SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
A causa não obstétrica com necessidade de tratamento cirúrgico de urgência em pacientes gestantes é:
Apendicite aguda = causa não obstétrica nº 1 de cirurgia de urgência na gestação.
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais frequente em gestantes, exigindo diagnóstico rápido para evitar perfuração e riscos fetais.
A apendicite aguda ocorre em aproximadamente 1 em cada 1.500 gestações, sendo a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico não obstétrico. O diagnóstico clínico é desafiador devido a sintomas fisiológicos da gravidez, como náuseas e vômitos, e ao deslocamento anatômico do apêndice pelo útero em crescimento. O tratamento padrão é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica com segurança em qualquer trimestre, desde que respeitadas as precauções técnicas (pressão de pneumoperitônio reduzida e posicionamento da paciente). A demora na intervenção está diretamente associada a piores desfechos materno-fetais.
Conforme a gestação progride, o útero em crescimento desloca o apêndice cefalicamente e lateralmente. Isso pode fazer com que a dor migre do quadrante inferior direito para o flanco ou quadrante superior direito, dificultando o diagnóstico clínico clássico baseado no ponto de McBurney. Além disso, a irritação peritoneal pode ser menos evidente devido ao afastamento do apêndice da parede abdominal anterior pelo útero aumentado.
A ultrassonografia de abdome superior e pelve é o exame inicial devido à ausência de radiação ionizante. Se inconclusiva, a Ressonância Magnética (RM) sem contraste é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica em gestantes, pois evita a exposição fetal à radiação da Tomografia Computadorizada (TC). A TC deve ser reservada para casos onde a RM não está disponível e o diagnóstico permanece incerto após a ultrassonografia.
A perfuração apendicular aumenta significativamente o risco de parto prematuro e perda fetal. Enquanto a taxa de perda fetal em apendicite não complicada é de cerca de 3-5%, esse número sobe drasticamente para até 20-25% em casos de perfuração e peritonite generalizada. Por isso, a suspeita clínica deve levar à intervenção cirúrgica precoce, preferencialmente antes da ruptura.
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