Apendicite Aguda na Gestação: Manejo e Conduta Cirúrgica

Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 32 anos, grávida na 27ª semana de gestação. Há 4 dias de quadro de dor abdominal no flanco direito, com febre, vômitos. Ao exame físico, dor importante no flanco direito. Leucograma com 16500 leucócitos por mm3. Ultrassonografia evidencia apêndice aumentado de volume, com abscesso peri apendicular. Conduta correta é:

Alternativas

  1. A) Antibiótico oral retorno em 72 horas.
  2. B) Apendicectomia vídeo-laparoscópica.
  3. C) Cesárea de urgência.
  4. D) Reavaliação com USG em 48 horas.

Pérola Clínica

Apendicite aguda com abscesso em gestante → Apendicectomia laparoscópica é a conduta padrão.

Resumo-Chave

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico na gravidez. Mesmo com abscesso, a cirurgia é preferível ao tratamento conservador com antibióticos devido ao risco de peritonite e sepse, que aumentam a morbimortalidade materno-fetal. A via laparoscópica é segura e preferível no segundo trimestre.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais comum durante a gravidez, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 1.500 gestações. O diagnóstico pode ser desafiador devido às alterações fisiológicas e anatômicas da gestação, que podem mascarar os sintomas clássicos ou deslocar o apêndice. A importância clínica reside no alto risco de morbimortalidade materno-fetal se não tratada adequadamente. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico e exames complementares. A ultrassonografia é a modalidade de imagem inicial preferida, embora a ressonância magnética (RM) possa ser utilizada para casos inconclusivos, evitando radiação. A leucocitose é comum na gravidez, mas um desvio à esquerda ou leucocitose acentuada pode sugerir infecção. A fisiopatologia é a mesma da população geral, com obstrução do lúmen apendicular. A conduta para apendicite aguda na gestação, mesmo com abscesso periapendicular, é a apendicectomia. A via laparoscópica é considerada segura e preferível no segundo trimestre, oferecendo vantagens como menor dor e recuperação mais rápida. O tratamento conservador com antibióticos para abscesso periapendicular em gestantes é geralmente desaconselhado devido ao risco de falha e progressão da doença, com consequências graves para a mãe e o feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de apendicite aguda na gestação?

Os sintomas podem ser atípicos devido às alterações anatômicas da gravidez, mas incluem dor abdominal (frequentemente no flanco direito ou quadrante superior direito), náuseas, vômitos, febre e leucocitose.

Por que a apendicectomia laparoscópica é preferível na gestação?

A via laparoscópica oferece menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e recuperação mais rápida, sendo segura no segundo trimestre. Reduz o risco de complicações maternas e fetais em comparação com a laparotomia.

Quais os riscos de não operar uma apendicite com abscesso em gestante?

A não intervenção cirúrgica aumenta o risco de ruptura do apêndice, peritonite difusa, sepse materna e complicações obstétricas graves, como parto prematuro e óbito fetal.

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