Apendicite Aguda na Gestação: Diagnóstico e Desafios

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

A apendicite aguda é a patologia cirúrgica de urgência mais comum no mundo. Em gestantes, torna-se ainda mais desafiadora. Sobre a Apendicite aguda em gestantes é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A apresentação clássica dos sintomas é menos prevalente na gestação, em especial, em gestações mais avançadas.
  2. B) Apenas 50% das gestantes apresentam como sintoma a dor abdominal.
  3. C) A leucocitose é um achado imprescindível para o diagnóstico, haja vista a leucopenia gestacional.
  4. D) A ressonância nuclear magnética é o exame de escolha para o diagnóstico.

Pérola Clínica

Gestação avançada → Útero desloca apêndice → Sintomas atípicos e dor em quadrante superior.

Resumo-Chave

O deslocamento cefálico do apêndice pelo útero gravídico altera a localização clássica da dor, tornando a apresentação clínica menos prevalente conforme a gestação progride.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa não obstétrica mais comum de abdome agudo cirúrgico durante a gravidez. O diagnóstico precoce é crucial, pois a perfuração apendicular aumenta significativamente o risco de perda fetal e morbidade materna. A apresentação clínica torna-se progressivamente atípica com o avanço da idade gestacional. Embora a apendicectomia laparoscópica seja segura em qualquer trimestre, o manejo diagnóstico exige cautela com radiações. A RM sem gadolínio tornou-se o padrão para casos duvidosos após ultrassonografia negativa ou inconclusiva, superando a tomografia computadorizada em segurança para o feto.

Perguntas Frequentes

Qual o exame de imagem de escolha para apendicite na gestante?

O primeiro exame costuma ser a ultrassonografia abdominal, devido à sua disponibilidade e ausência de radiação. No entanto, se a ultrassonografia for inconclusiva (o que é comum devido ao útero gravídico), a Ressonância Magnética (RM) é o exame de escolha por sua alta sensibilidade e especificidade, sem os riscos da radiação ionizante da tomografia.

Por que a dor da apendicite muda de lugar na gravidez?

A partir do segundo trimestre, o crescimento do útero desloca o ceco e o apêndice superiormente e lateralmente. Isso faz com que a dor, que classicamente se localiza no ponto de McBurney (quadrante inferior direito), possa ser referida no quadrante superior direito ou até no flanco, dificultando o diagnóstico clínico.

A leucocitose ajuda no diagnóstico de apendicite em gestantes?

A leucocitose tem valor limitado na gestação, pois a própria gravidez induz uma leucocitose fisiológica, que pode chegar a 16.000/mm³ no segundo e terceiro trimestres, e até 25.000/mm³ durante o trabalho de parto. Portanto, o diagnóstico deve focar na clínica e em exames de imagem.

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