Apendicite na Gestação: Diagnóstico e Desafios no Terceiro Trimestre

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Gestante de 36 semanas de gestação chega ao atendimento queixando-se de náuseas, vômitos, anorexia e dor abdominal superior há 8 horas. Uma dor nunca antes sentida. Ao exame físico: palpação abdominal com sensibilidade em quadrante superior direito. Na triagem foram registradas temperatura de 38,3ºC, FC 90bpm, PA 111X60 mmHg. Laboratório com destaque para leucograma de 12.000, urina I com presença de hematúria e proteínas negativas. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Colelitíase
  2. B) Litíase renal
  3. C) Pielonefrite
  4. D) Apendicite
  5. E) Coledocolitíase

Pérola Clínica

Apendicite na gestação pode ter dor atípica (QSD) devido ao deslocamento apendicular pelo útero gravídico.

Resumo-Chave

A apendicite aguda em gestantes, especialmente no terceiro trimestre, pode apresentar dor em quadrantes superiores (QSD) devido ao deslocamento do apêndice pelo útero. A presença de náuseas, vômitos, febre, leucocitose e dor localizada (mesmo que atípica) deve levantar a suspeita. A hematúria pode ser um achado inespecífico.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais comum na gestação, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 1.500 gestações. O diagnóstico pode ser desafiador devido às alterações fisiológicas da gravidez e ao deslocamento anatômico do apêndice. No terceiro trimestre, o útero gravídico pode empurrar o apêndice para cima e para a direita, resultando em dor no quadrante superior direito ou mesmo epigástrio, em vez da clássica fossa ilíaca direita. Os sintomas, como náuseas, vômitos e anorexia, são comuns na gravidez, o que pode mascarar o início da apendicite. A febre e a leucocitose (acima de 15.000-16.000/mm³ ou um desvio à esquerda significativo) são achados mais sugestivos, embora a leucocitose fisiológica da gravidez possa confundir. A hematúria, como no caso, é um achado inespecífico que pode ocorrer em diversas condições, incluindo apendicite, devido à irritação do ureter adjacente. O manejo da apendicite na gestação é predominantemente cirúrgico (apendicectomia), idealmente por via laparoscópica no primeiro e segundo trimestres, e com maior cautela no terceiro. O atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente o risco de perfuração, peritonite e complicações materno-fetais, incluindo parto prematuro. Portanto, um alto índice de suspeição é crucial para residentes.

Perguntas Frequentes

Por que a dor da apendicite pode ser atípica em gestantes?

O útero gravídico em crescimento desloca o apêndice cecal superior e lateralmente, especialmente no segundo e terceiro trimestres, o que pode levar a uma dor referida em quadrantes superiores do abdome, como o quadrante superior direito.

Quais exames complementares são úteis para diagnosticar apendicite em gestantes?

Além do leucograma (que pode estar fisiologicamente elevado na gestação), a ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de primeira linha. Se inconclusiva, a ressonância magnética (RM) é uma alternativa segura e eficaz na gravidez.

Como diferenciar apendicite de outras causas de dor abdominal superior na gestação?

O diagnóstico diferencial inclui colecistite, pielonefrite, litíase renal, pré-eclâmpsia com HELLP, e até mesmo trabalho de parto prematuro. A história clínica detalhada, exame físico e exames de imagem são cruciais para a distinção.

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