UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Primigesta de 24 anos, com 23 semanas de gestação, procurou a Emergência Obstétrica queixando-se de dor abdominal difusa e inapetência há 36 horas e de um episódio de vômito. Informou estar em acompanhamento pré-natal adequado e negou cirurgias prévias. Ao exame, apresentava IMC de 23 kg/m², frequência cardíaca de 122 bpm, frequência respiratória de 20 mpm, temperatura axilar de 37,8 ºC e pressão arterial de 90/50 mmHg. Com altura uterina de 23 cm, sentia dor à palpação profunda do flanco direito. O sinal de Murphy era negativo. Os batimentos cardiofetais indicaram 160 bpm sem desacelerações, e não havia dinâmica uterina. O exame especular não revelou perda líquida ou sangramento. Ao toque, o colo estava fechado. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e qual o exame complementar indicado?
Gestante com dor abdominal flanco direito + febre + taquicardia → Apendicite aguda (USG abdominal).
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico na gestação. Devido ao deslocamento do apêndice pelo útero gravídico, a dor pode ser atípica, frequentemente no flanco ou quadrante superior direito. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem inicial preferencial.
A apendicite aguda é a causa não obstétrica mais comum de abdome agudo cirúrgico na gestação, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 1.500 gestações. O diagnóstico pode ser desafiador devido às alterações fisiológicas da gravidez e à apresentação clínica atípica, que pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações materno-fetais. A dor abdominal, que classicamente migra para o quadrante inferior direito, pode se localizar no flanco direito ou quadrante superior direito devido ao deslocamento do apêndice pelo útero em crescimento. Sinais como febre, taquicardia, náuseas e vômitos são comuns. A leucocitose fisiológica da gravidez pode dificultar a interpretação do hemograma. A ultrassonografia abdominal é o método de imagem de escolha inicial, devido à sua segurança. Em casos inconclusivos, a ressonância magnética (RM) é preferível à tomografia computadorizada (TC) devido à ausência de radiação ionizante. O tratamento é cirúrgico (apendicectomia), idealmente por via laparoscópica, independentemente da idade gestacional, para prevenir a perfuração e suas consequências.
O útero gravídico em crescimento desloca o apêndice para cima e lateralmente, alterando a localização da dor, que pode ser no flanco direito ou quadrante superior direito.
A ultrassonografia abdominal é o exame inicial preferencial devido à sua segurança para o feto. Se inconclusiva, a ressonância magnética (RM) é a próxima opção.
Os diferenciais incluem pielonefrite, colecistite, litíase renal, trabalho de parto prematuro, descolamento prematuro de placenta e infecção do trato urinário.
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