Apendicite Aguda na Gestação: Diagnóstico e Conduta de Urgência

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 10 semanas procura o pronto socorro queixando-se de dor abdominal há 2 dias, periumbilical com irradiação para região lombar e fossa ilíaca direita, associada à inapetência. Há 4 horas, iniciou quadro de febre (38oC), vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. Nega alteração do hábito urinário, disúria ou polaciúria. Ao ultrassom, gestação tópica, feto vivo, sem sinais de descolamento ovular, presença de discreta quantidade de líquido livre em região anexial direita. Hemograma com 18.800 leucócitos, desvio até metamielócitos. O Hospital não dispõe de ressonância nuclear magnética e não é possível transferência hospitalar neste momento. Qual é a conduta recomendada?

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome para elucidar diagnóstico.
  2. B) Antibioticoterapia intravenosa e reavaliação clínica após 24 horas.
  3. C) Analgesia plena, antiemético, enteroclisma e reavaliação após evacuação.
  4. D) Cirurgia de urgência, preferencialmente por via laparoscópica.

Pérola Clínica

Apendicite aguda em gestante com sinais de peritonite e leucocitose → Cirurgia de urgência, preferencialmente laparoscópica.

Resumo-Chave

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo não obstétrico na gestação. A apresentação clínica pode ser atípica devido ao deslocamento do apêndice. Diante de alta suspeita e sinais de complicação (febre, vômitos, parada de eliminação de gases/fezes, leucocitose e líquido livre), a intervenção cirúrgica é prioritária para evitar morbimortalidade materna e fetal.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais comum na gestação, ocorrendo em cerca de 1 a cada 1.500 gestações. Seu diagnóstico precoce é crucial, pois o atraso pode levar à perfuração, aumentando significativamente a morbimortalidade materna e fetal. A compreensão das alterações fisiológicas da gravidez que afetam a apresentação clínica é fundamental para o residente. A fisiopatologia é a mesma da população geral, mas a compressão do apêndice pelo útero pode alterar a localização da dor, tornando-a mais difusa ou em quadrantes superiores. O ultrassom é o exame de imagem inicial, mas sua sensibilidade pode ser limitada. A ressonância magnética é o padrão-ouro, mas nem sempre disponível. A leucocitose é um achado comum na gravidez, mas um desvio à esquerda acentuado ou leucocitose >15.000-18.000 deve levantar suspeita. O tratamento definitivo é a apendicectomia. A via laparoscópica é segura e preferível no primeiro e segundo trimestres, associada a menor dor e recuperação mais rápida. No terceiro trimestre, a laparotomia pode ser mais indicada devido ao tamanho do útero. A cirurgia não deve ser postergada em casos de alta suspeita clínica, especialmente com sinais de peritonite ou complicação, para evitar desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de apendicite aguda em gestantes?

A apendicite em gestantes pode apresentar dor abdominal periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos, inapetência e febre. Devido ao útero gravídico, a dor pode ser mais alta ou atípica, irradiando para o flanco ou região lombar.

Qual a conduta inicial para apendicite aguda em gestantes?

Diante de alta suspeita clínica, leucocitose e sinais de complicação, a conduta inicial é a cirurgia de urgência. A via laparoscópica é preferencial no primeiro e segundo trimestres, oferecendo menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida.

Por que a apendicite é mais desafiadora de diagnosticar na gravidez?

O diagnóstico é desafiador devido às alterações fisiológicas da gravidez, como o deslocamento do apêndice pelo útero em crescimento, que altera a localização da dor, e a leucocitose fisiológica da gestação, que pode mascarar o aumento de leucócitos patológico.

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