Apendicite Aguda na Gestação: Diagnóstico e Imagem

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente gestante de 25 semanas apresenta dor em região de flanco direito há 1 dia, associada a náuseas e vômitos. No hemograma, apresenta uma leucocitose de 11.500 (VR = 10.000). Quanto a esse caso, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) se deve fazer uma ultrassonografia abdominal devido à suspeita de apendicite aguda e, caso necessário, uma tomografia para melhor visualização do apêndice.
  2. B) há suspeita de apendicite aguda, devido à localização da dor (apêndice deslocado cefalicamente). Uma ultrassonografia de abdome pode visualizar o apêndice e ajudar a esclarecer o diagnóstico.
  3. C) pode se tratar apenas de uma intercorrência da gestação, como dor do ligamento redondo. Para melhor esclarecimento do caso, deve-se solicitar uma ressonância de abdome, já que a ultrassonografia não é recomendada nessa idade gestacional.
  4. D) há grandes chances de ser uma apendicite aguda, já que a paciente tem dor em flanco direito (apêndice deslocado cefalicamente) e tem leucocitose, sinal de que há um processo inflamatório agudo vigente.
  5. E) se trata de uma provável colecistite, devido à topografia da dor associada à leucocitose, que favorece processo inflamatório agudo.

Pérola Clínica

Apendicite gestacional: dor flanco D (apêndice deslocado cefalicamente), USG é 1ª escolha diagnóstica.

Resumo-Chave

A apendicite aguda na gestação é um desafio diagnóstico devido às alterações anatômicas e fisiológicas. O apêndice é deslocado cefalicamente e lateralmente pelo útero gravídico, alterando a localização clássica da dor. A ultrassonografia é o método de imagem inicial preferencial, sendo segura para a gestante e o feto.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo não obstétrico na gestação, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 1.500 gestações. Seu diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações maternas e fetais, como perfuração apendicular, peritonite e parto prematuro. As alterações anatômicas e fisiológicas da gravidez modificam a apresentação clínica clássica da apendicite. O útero em crescimento desloca o apêndice, levando a dor atípica no flanco direito ou quadrante superior direito. A leucocitose fisiológica da gestação pode mascarar o processo inflamatório. A ultrassonografia é o método de imagem inicial preferencial, com sensibilidade e especificidade razoáveis, e a ressonância magnética pode ser utilizada em casos inconclusivos. O tratamento da apendicite aguda na gestação é cirúrgico, preferencialmente por via laparoscópica no primeiro e segundo trimestres, ou laparotomia no terceiro trimestre, dependendo da experiência do cirurgião e do estágio da gestação. A intervenção precoce minimiza os riscos de morbimortalidade para mãe e feto.

Perguntas Frequentes

Como a gestação altera a apresentação clínica da apendicite?

Na gestação, o útero em crescimento desloca o apêndice cefalicamente e lateralmente, alterando a localização clássica da dor de fossa ilíaca direita para flanco direito ou quadrante superior direito.

Qual o exame de imagem de primeira linha para apendicite em gestantes?

A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de primeira linha devido à sua segurança para a gestante e o feto, além de sua capacidade de visualizar o apêndice inflamado.

A leucocitose é um bom indicador de apendicite na gestação?

A leucocitose é fisiológica na gestação, tornando sua interpretação mais desafiadora. Um aumento significativo acima dos valores esperados para a idade gestacional, ou um desvio à esquerda, pode ser sugestivo.

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