AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Mulher, 25 anos, 25 semanas de gestação, apresenta dor em fossa ilíaca direita associada à dor à palpação local. A paciente refere que a dor iniciou em região epigástrica e após 1 dia localizou na FID. O leucograma apresenta aumento do número de leucócitos e há elevação de PCR. Inicialmente, foi submetida à ecografia de abdome total, que evidenciou distensão de alças de delgado adjacentes ao ceco, porém não visualizou o apêndice cecal. Diante desse caso clínico, assinale a alternativa que indica a melhor conduta.
USG inconclusivo em gestante com suspeita de apendicite → Ressonância Magnética (RM).
A RM é o exame de escolha após USG inconclusivo em gestantes, pois evita radiação ionizante e possui alta acurácia diagnóstica para apendicite.
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica não obstétrica mais frequente durante a gravidez. O diagnóstico clínico é desafiador devido à leucocitose fisiológica e ao deslocamento anatômico do apêndice pelo útero. O protocolo diagnóstico inicia-se obrigatoriamente com a ultrassonografia, que é segura mas operador-dependente e frequentemente limitada pela interposição de alças ou pelo volume uterino. Quando o ultrassom é inconclusivo (não visualização do apêndice), as diretrizes atuais recomendam a Ressonância Magnética (sem gadolínio) como o próximo passo. A TC de abdome deve ser reservada apenas para casos onde a RM não está disponível e o diagnóstico permanece incerto, pesando-se o risco da radiação contra o risco de uma apendicite perfurada. O tratamento definitivo permanece sendo a apendicectomia, preferencialmente por via laparoscópica, dependendo da idade gestacional e experiência da equipe.
A Ressonância Magnética não utiliza radiação ionizante, o que elimina o risco de efeitos teratogênicos ou carcinogênicos ao feto. Ela mantém uma sensibilidade e especificidade superiores a 90% para o diagnóstico de apendicite, sendo o exame de escolha quando o ultrassom não é diagnóstico.
Embora o apêndice seja deslocado superiormente pelo útero gravídico (podendo atingir o quadrante superior direito no final da gestação), a dor na fossa ilíaca direita continua sendo o sintoma mais comum em todos os trimestres, especialmente no início do quadro.
O atraso diagnóstico aumenta significativamente o risco de perfuração apendicular, que na gestante está associado a altas taxas de peritonite, parto prematuro e perda fetal. Por isso, a investigação deve ser rápida e assertiva.
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