INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma paciente de 35 anos de idade, no 2º pós-operatório de apendicectomia, encontra-se internada em enfermaria coletiva (6 leitos) de pequeno hospital secundário. O achado cirúrgico foi de uma apendicite aguda em fase flegmonosa e realizou-se apenas antibioticoprofilaxia durante a cirurgia, com administração de cefazolina. Foi iniciada a alimentação por via oral com boa aceitação, após a eliminação de flatos e fezes. Não apresentou febre. Ao exame clínico, a ferida cirúrgica encontra-se em bom estado. No planejamento da alta hospitalar para esta paciente, além de orientá-la quanto aos sinais de alerta para infecção da ferida, deve-se:
Apendicite flegmonosa (potencialmente contaminada) + paciente estável → Profilaxia apenas; sem ATB na alta.
Em casos de apendicite aguda não perfurada (flegmonosa), a antibioticoprofilaxia intraoperatória é suficiente. Não há benefício em manter antibioticoterapia pós-operatória ou curativos complexos após a cicatrização inicial.
A apendicite aguda é classificada em fases que determinam o manejo antimicrobiano. A fase flegmonosa é considerada uma cirurgia potencialmente contaminada. Segundo os protocolos de segurança do paciente e da CCIH, a antibioticoprofilaxia (geralmente com cefalosporinas de 1ª ou 2ª geração) deve ser administrada até 60 minutos antes da incisão e não deve ultrapassar 24 horas de duração em casos não complicados. A recuperação pós-operatória de uma apendicectomia não complicada costuma ser rápida. Uma vez que o paciente apresenta trânsito intestinal preservado, ausência de febre e dor controlada por via oral, a alta hospitalar é segura. A manutenção desnecessária de antibióticos e curativos oclusivos prolongados não previne infecções e pode mascarar complicações ou causar reações adversas.
O uso de antibióticos terapêuticos no pós-operatório (por 4 a 7 dias) está indicado apenas em casos de apendicite complicada, ou seja, quando há perfuração, gangrena, abscesso ou peritonite purulenta. Em apendicites flegmonosas ou catatrais, apenas a dose profilática antes da incisão é necessária.
Para feridas de cirurgias potencialmente contaminadas que foram fechadas por primeira intenção, recomenda-se manter o curativo seco por 24-48 horas. Após esse período, a ferida pode ficar exposta e ser lavada com água e sabão durante o banho. Não há necessidade de curativos diários após a epitelização inicial.
O paciente deve ser instruído a retornar se apresentar febre persistente, dor abdominal que piora progressivamente, vômitos, ou sinais flogísticos na ferida operatória (calor, rubor, edema ou saída de secreção purulenta), que podem indicar abscesso residual ou infecção de sítio cirúrgico.
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