Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Homem de 30 anos de idade apresenta dor abdominal súbita e aguda no quadrante inferior direito há 1 dia, associada a febre, náuseas e vômitos. O paciente nega alterações do hábito intestinal ou cirurgias prévias. O exame físico revela temperatura aferida de 37,8ºC e sensibilidade rebote no abdome inferior direito. Qual dos seguintes exames de imagem é o método diagnóstico mais apropriado?
Suspeita de apendicite aguda em adulto → TC de abdome e pelve com contraste é o padrão-ouro.
Em adultos com suspeita de apendicite aguda, a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o método de imagem de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade. Ela permite não apenas confirmar o diagnóstico de apendicite, mas também identificar diagnósticos diferenciais e complicações.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, com uma incidência ao longo da vida de aproximadamente 7%. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como perfuração, peritonite e formação de abscesso. A apresentação clínica clássica inclui dor periumbilical que migra para o quadrante inferior direito, anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa, como descrito no caso. O exame físico revela sinais de irritação peritoneal, como sensibilidade e rebote no ponto de McBurney. Embora o diagnóstico seja primariamente clínico, exames de imagem são frequentemente necessários para confirmar a suspeita, excluir diagnósticos diferenciais e planejar a conduta. Em adultos, a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste intravenoso é considerada o método de imagem de escolha devido à sua alta acurácia diagnóstica (sensibilidade de 90-96% e especificidade de 89-99%). A TC permite visualizar diretamente o apêndice, identificar sinais de inflamação e avaliar estruturas adjacentes. Outros exames, como a radiografia abdominal, têm valor limitado na apendicite aguda. A ultrassonografia pode ser útil em crianças e gestantes para evitar radiação, mas sua acurácia é operador-dependente e pode ser limitada em adultos. A ressonância magnética (RM) é uma alternativa para gestantes e crianças, mas é menos disponível e mais demorada que a TC. Portanto, em um homem adulto com quadro clássico, a TC é a ferramenta mais apropriada para um diagnóstico rápido e preciso.
Os achados incluem apêndice dilatado (>6mm de diâmetro), parede apendicular espessada e realçada, gordura periapendicular inflamada, apendicolito e, em casos mais avançados, abscesso ou perfuração.
Embora a ultrassonografia seja útil em crianças e gestantes, em adultos a TC oferece maior sensibilidade e especificidade, especialmente em pacientes obesos ou com gás intestinal que dificulta a visualização ultrassonográfica.
Os diferenciais incluem diverticulite de Meckel, ileíte terminal, linfadenite mesentérica, cisto ovariano torcido, gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica e infecção do trato urinário.
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