Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Indicação Cirúrgica

HEETSHL - Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (PB) — Prova 2020

Enunciado

Homem, de 22 anos de idade, previamente hígido, iniciou há 48 horas com dor abdominal periumbilical que, após 12 horas, se localizou em fossa ilíaca direita, sem alterações do hábito intestinal ou sintomas urinários. Ao exame físico apresentava frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto, temperatura de 37,4ºC, descompressão dolorosa em fossa ilíaca direita e redução dos ruídos hidroaéreos. O hemograma apresentava contagem de leucócitos normal e desvio à esquerda (14% de bastões), urinálise sem alterações. A ultrassonografia abdominal foi normal, porém não foi possível a visualização do apêndice vermiforme. Baseado no quadro acima, pode-se afirmar que a suspeita é de:

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda e a conduta adequada é a observação clínica e a realização de tomografia abdominal após 24 horas.
  2. B) Diverticulite aguda e o paciente deve ser admitido e submetido à antibioticoterapia.
  3. C) Apendicite aguda e o paciente já apresenta indicação cirúrgica.
  4. D) Diverticulite aguda e o paciente deve ser submetido à cirurgia.
  5. E) Apendagite e o paciente deve ser submetido à cirurgia.

Pérola Clínica

Dor periumbilical migrando para FID + descompressão dolorosa + desvio à esquerda, mesmo com USG normal/inconclusiva, sugere apendicite aguda com indicação cirúrgica.

Resumo-Chave

O quadro clínico clássico de apendicite aguda (dor periumbilical migratória para fossa ilíaca direita, descompressão dolorosa, febre baixa, taquicardia e desvio à esquerda no leucograma) é altamente sugestivo, mesmo com ultrassonografia inconclusiva (apêndice não visualizado). A forte suspeita clínica, neste cenário, justifica a indicação cirúrgica.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, afetando predominantemente adolescentes e adultos jovens. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e tratamento rápidos para prevenir complicações graves como perfuração, peritonite e formação de abscesso. A epidemiologia mostra uma incidência global significativa, tornando-a uma condição essencial para o conhecimento médico. A fisiopatologia da apendicite aguda envolve a obstrução da luz apendicular, geralmente por um fecalito, hiperplasia linfoide ou corpo estranho, levando à distensão, isquemia, inflamação e proliferação bacteriana. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de dor periumbilical migratória para a fossa ilíaca direita (sinal de Kocher), associada a náuseas, vômitos, anorexia e febre baixa. Ao exame físico, a descompressão dolorosa em fossa ilíaca direita (sinal de Blumberg) é um achado clássico. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose com desvio à esquerda, mesmo com contagem total de leucócitos normal. Embora exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia computadorizada sejam úteis, o diagnóstico de apendicite aguda é fortemente clínico. Uma ultrassonografia normal ou inconclusiva (com apêndice não visualizado) não exclui o diagnóstico na presença de um quadro clínico típico. Nesses casos, a forte suspeita clínica, como a apresentada no enunciado, já configura indicação cirúrgica (apendicectomia), que é o tratamento definitivo. A observação clínica prolongada ou a busca por exames adicionais pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda?

Os sinais e sintomas clássicos incluem dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos, anorexia, febre baixa, taquicardia e dor à descompressão em fossa ilíaca direita (sinal de Blumberg).

Qual o papel da ultrassonografia abdominal no diagnóstico da apendicite aguda?

A ultrassonografia é um exame útil, especialmente em crianças e mulheres, para visualizar o apêndice inflamado. No entanto, sua sensibilidade pode ser limitada, e a não visualização do apêndice não exclui o diagnóstico, que é primariamente clínico.

Quando a apendicite aguda tem indicação cirúrgica?

A apendicite aguda tem indicação cirúrgica imediata (apendicectomia) assim que o diagnóstico é estabelecido ou há forte suspeita clínica, devido ao risco de perfuração e peritonite.

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