Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Conduta Cirúrgica

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 18 anos, sem comorbidades, há 2 dias com hiporexia, náuseas, associado a desconforto epigástrico, procurou pronto-socorro hoje, pois a dor havia piorado, mais intensa, mais localizada em fossa ilíaca direita junto com 2 picos de febre aferida. Nega vômitos. Ao exame, bom estado geral, corado, hidratado, eupneico, anictérico. Exame físico cardiopulmonar normal, exceto por frequência cardíaca de 112 bpm. Ao exame abdominal: ruídos presentes, sem alterações na inspeção, porém com dor a palpação de fossa ilíaca direita. Sinal de Blumberg presente. Foi submetido a exames laboratoriais que, somado aos dados acima resultaram em um escore de Alvarado de 09 pontos. Não há exames de imagem disponível no serviço. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Transferência imediata para realizar ecografia de abdome.
  2. B) Jejum, hidratação, analgesia e transferência para exames de imagem.
  3. C) Alta com sintomáticos.
  4. D) Apendicectomia.

Pérola Clínica

Alvarado ≥ 7 + clínica típica → alta probabilidade de apendicite aguda = indicação cirúrgica.

Resumo-Chave

Um escore de Alvarado de 9 pontos, somado à clínica clássica de dor migratória para fossa ilíaca direita, náuseas, febre e Blumberg positivo, indica alta probabilidade de apendicite aguda. Nesses casos, a cirurgia (apendicectomia) é a conduta mais adequada, mesmo sem exames de imagem, devido ao risco de perfuração.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, afetando principalmente adolescentes e adultos jovens. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações graves como perfuração, peritonite e sepse. A inflamação do apêndice vermiforme geralmente ocorre por obstrução do lúmen, seja por fecalito, hiperplasia linfoide ou parasitas. O diagnóstico da apendicite aguda é primariamente clínico, baseado na anamnese e exame físico. A dor migratória para a fossa ilíaca direita (ponto de McBurney), náuseas, anorexia, febre e sinais de irritação peritoneal (Blumberg, Rovsing) são achados clássicos. O escore de Alvarado, que combina sintomas, sinais e exames laboratoriais (leucocitose), é uma ferramenta útil para estratificar o risco. Exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada podem confirmar o diagnóstico, mas não devem atrasar a conduta em casos de alta suspeita clínica. O tratamento definitivo da apendicite aguda é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. A intervenção cirúrgica precoce é crucial para prevenir a progressão da inflamação e o desenvolvimento de complicações. O prognóstico é excelente quando tratada a tempo, mas pode ser grave em casos de atraso diagnóstico e perfuração.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da apendicite aguda?

A apendicite aguda tipicamente começa com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas, vômitos, anorexia e febre baixa. Sinais como Blumberg e Rovsing são comuns.

Qual a importância do escore de Alvarado na apendicite aguda?

O escore de Alvarado é uma ferramenta clínica que auxilia na estratificação de risco para apendicite aguda. Um escore ≥ 7 indica alta probabilidade e frequentemente justifica a intervenção cirúrgica.

Quando a apendicectomia é indicada sem exames de imagem?

A apendicectomia é indicada sem exames de imagem quando há alta suspeita clínica, com sinais e sintomas clássicos e um escore de Alvarado elevado, especialmente em serviços onde a disponibilidade de imagem é limitada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo