Apendicite Aguda: Entenda a Dor Migratória Abdominal

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 20 anos de idade apresenta-se no serviço de emergência com quadro de 8h de evolução de dor vaga em região inferior de abdome, associada a náuseas. Na admissão, relata alteração da localização da dor abdominal que passa a se concentrar em quadrante inferior direito do abdome. Em relação ao quadro clínico descrito, assinale opção correta.

Alternativas

  1. A) Colecistite aguda é a hipótese diagnóstica mais provável desse paciente.
  2. B) A dor em quadrante inferior direito de abdome é secundária à irritação do peritônio pariental.
  3. C) Considerando-se o possível diagnóstico de apendicite aguda, a dor vaga em região inferior de abdome é de origem somática.
  4. D) O quadro clínico descrito é atípico para o diagnóstico de apendicite aguda.
  5. E) A modificação espontânea do padrão de dor antes do início da administração de medicações analgésicas sugere melhora ou involução do quadro em questão.

Pérola Clínica

Apendicite aguda → dor periumbilical vaga (visceral) que migra para QID (somática, irritação peritoneal).

Resumo-Chave

A dor da apendicite aguda tipicamente começa como uma dor visceral, vaga e difusa na região periumbilical ou epigástrica, devido à distensão do apêndice inflamado. Com a progressão da inflamação e o envolvimento do peritônio parietal adjacente, a dor se torna mais localizada e intensa no quadrante inferior direito (QID), caracterizando uma dor somática.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, afetando principalmente adolescentes e adultos jovens. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história e exame físico, embora exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada possam auxiliar. A importância de reconhecer o padrão clássico da dor migratória é fundamental para o diagnóstico precoce e a prevenção de complicações. A fisiopatologia da dor na apendicite aguda envolve duas fases. Inicialmente, a obstrução do lúmen apendicular (por fecalito, hiperplasia linfoide, parasitas) leva à distensão e inflamação, causando dor visceral. Essa dor é transmitida por fibras nervosas aferentes viscerais que entram na medula espinhal nos níveis T8-T10, sendo percebida como dor periumbilical ou epigástrica. Com a progressão da inflamação, o processo se estende à serosa do apêndice e ao peritônio parietal adjacente. A irritação do peritônio parietal, que é inervado por nervos somáticos (fibras A-delta), resulta em uma dor mais localizada, intensa e bem definida no quadrante inferior direito, conhecida como dor somática. Este é o ponto-chave da migração da dor. O tratamento padrão é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar à perfuração do apêndice, peritonite e formação de abscesso.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre dor visceral e dor somática na apendicite?

A dor visceral é a dor inicial, vaga e difusa, geralmente periumbilical, causada pela distensão do apêndice. A dor somática é a dor localizada e intensa no quadrante inferior direito, que surge quando a inflamação atinge o peritônio parietal.

Por que a dor da apendicite aguda migra para o quadrante inferior direito?

A dor migra para o quadrante inferior direito porque, à medida que a inflamação do apêndice progride, ela irrita o peritônio parietal adjacente. O peritônio parietal é inervado por nervos somáticos, o que permite uma localização mais precisa da dor.

Quais outros sintomas podem acompanhar a dor na apendicite aguda?

Além da dor abdominal, a apendicite aguda pode ser acompanhada de náuseas, vômitos, anorexia, febre baixa e, em alguns casos, diarreia ou constipação.

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