HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2023
Paciente masculino, 26 anos, portador de doença de Crohn (diagnosticado na infância e sem agudização há 10 anos) procura atendimento médico queixando-se de dor abdominal inespecífica de início há 3 dias, associada à hiporexia e náuseas. Há 1 dia houve piora da dor, com migração para fossa ilíaca direita. Nega febre. Nega vômitos. Nega parada de eliminação de flatos e fezes. Nega diarreia. Nega sintomas urinários. Nega trauma. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, eupneico, anictérico, acianótico, afebril. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos, flácido, depressível, doloroso em fossa ilíaca direita, sem sinais de irritação peritoneal. Exames séricos evidenciaram leucocitose discreta e aumento de proteína C reativa. Realizou a tomografia abdominal abaixo para elucidação diagnóstica. A principal hipótese diagnóstica é:
Paciente com Crohn e dor FID + leucocitose/PCR ↑ → Apendicite aguda é principal hipótese, mesmo com Crohn.
Em pacientes com Doença de Crohn, a dor em fossa ilíaca direita, especialmente com piora e sinais inflamatórios (leucocitose, PCR elevada), deve levantar a suspeita de apendicite aguda. Embora a ileíte terminal seja comum no Crohn, a apresentação clássica de apendicite não deve ser descartada.
A dor abdominal é uma queixa comum na prática médica, e em pacientes com condições crônicas como a Doença de Crohn, o diagnóstico diferencial pode ser desafiador. A Doença de Crohn, uma doença inflamatória intestinal crônica, pode causar dor abdominal, diarreia, perda de peso e inflamação em qualquer parte do trato gastrointestinal, sendo o íleo terminal o local mais frequentemente afetado. Quando um paciente com Doença de Crohn apresenta dor abdominal aguda, especialmente localizada na fossa ilíaca direita (FID), é crucial considerar não apenas uma agudização da doença, mas também outras causas cirúrgicas agudas, como a apendicite aguda. A apresentação clínica da apendicite (dor migratória, piora da dor, leucocitose e PCR elevada) deve ser valorizada, mesmo em um paciente com histórico de Crohn. A tomografia abdominal é uma ferramenta diagnóstica essencial nesses casos, pois pode diferenciar a inflamação do apêndice (apendicite) da inflamação do íleo terminal (ileíte de Crohn). O manejo adequado depende de um diagnóstico preciso, pois a apendicite aguda requer intervenção cirúrgica, enquanto a agudização do Crohn pode ser tratada clinicamente. A capacidade de discernir essas condições é vital para residentes e profissionais de saúde.
A apendicite aguda geralmente apresenta dor migratória para FID, piora progressiva e pode ter sinais de irritação peritoneal. A agudização do Crohn pode ter dor mais difusa ou crônica, mas a tomografia é crucial para diferenciar inflamação apendicular de ileíte terminal.
A tomografia pode mostrar apêndice edemaciado e dilatado, com inflamação periapendicular, coleções ou apendicolito, diferenciando-o da inflamação da parede ileal que seria mais típica de uma agudização do Crohn. A visualização do apêndice é chave.
Não há evidências claras de que a Doença de Crohn aumente o risco de apendicite aguda per se. No entanto, a inflamação da válvula ileocecal ou do íleo terminal pode mimetizar os sintomas de apendicite ou dificultar seu diagnóstico.
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