Apendicite Aguda: Conduta na Tomografia Inconclusiva

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 27 anos de idade, sem comorbidades, apresenta dor abdominal difusa que migra para fossa ilíaca direita há 24h. Exame físico: dor localizada em abdome inferior com defesa. Laboratório: leucocitose e PCR elevada. Tomografia de abdômen: inconclusiva. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Ressonância nuclear magnética de pelve com gadolíneo.
  2. B) Antibioticoterapia empírica intravenosa e reavaliação clínica em 12h.
  3. C) Observação ambulatorial com novo exame de imagem em 24h.
  4. D) Videolaparoscopia diagnóstica, com apendicectomia se não encontrar nenhuma outra doença.

Pérola Clínica

Clínica sugestiva + Tomografia inconclusiva em mulher jovem → Videolaparoscopia diagnóstica.

Resumo-Chave

Em mulheres em idade fértil, o diagnóstico diferencial de dor na FID é amplo; a laparoscopia permite diagnóstico e tratamento simultâneo, reduzindo laparotomias brancas.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico. Embora a tomografia computadorizada tenha alta sensibilidade e especificidade, fatores como escassez de gordura periapendicular ou fases muito precoces da inflamação podem resultar em laudos inconclusivos. Em pacientes do sexo feminino, a sobreposição de sintomas com patologias anexiais torna o desafio diagnóstico maior. A videolaparoscopia consolidou-se como o padrão-ouro não apenas pelo benefício terapêutico (menor dor pós-operatória e retorno rápido às atividades), mas principalmente pelo seu valor diagnóstico, permitindo a resolução imediata da patologia encontrada com mínima agressão cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Por que a laparoscopia é preferível em mulheres jovens com dor na FID?

Mulheres jovens apresentam uma gama extensa de diagnósticos diferenciais ginecológicos que mimetizam apendicite, como cisto ovariano roto, gravidez ectópica, salpingite ou endometriose. A videolaparoscopia oferece uma visão ampla da pelve, permitindo identificar essas condições com precisão superior à laparotomia ou exames de imagem inconclusivos.

O que fazer se o apêndice estiver macroscópicamente normal na cirurgia?

Se durante a laparoscopia o apêndice parecer normal, o cirurgião deve realizar uma exploração sistemática da cavidade abdominal, incluindo o íleo terminal (para buscar divertículo de Meckel ou Doença de Crohn), órgãos pélvicos e espaço subfrênico. Se nenhuma outra causa for encontrada, a apendicectomia incidental é frequentemente realizada para evitar confusões diagnósticas futuras.

Qual a conduta se a TC for inconclusiva mas a clínica for forte?

A clínica soberana permanece um pilar no abdome agudo. Se a tomografia não confirma nem exclui a patologia (inconclusiva) e o paciente mantém sinais de irritação peritoneal ou leucocitose progressiva, a intervenção cirúrgica diagnóstica, preferencialmente por via minimamente invasiva, é a conduta mais segura para evitar perfuração e peritonite.

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