Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Indicação Cirúrgica

HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 24 anos, sexo masculino, é encaminhado a unidade de pronto atendimento com dor em fossa ilíaca direita, Blumberg +, contratura e defesa a palpação em quadrante inferior direito. Não há febre. O paciente ainda afirma que durante a ida para o hospital, cada vez que o carro passava por redutor de velocidade ou buraco na pista, ocorria dor aguda em fossa ilíaca direita. A respeito do caso marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Há necessidade de exame de imagem antes de indicar apendicectomia.
  2. B) Há necessidade de hemograma para avaliar presença de leucocitose que é marcador preciso de apendicectomia.
  3. C) Pode-se indicar cirurgia apendicectomia sem a necessidade de quaisquer outros exames.
  4. D) O quadro de dor no trajeto ao hospital é informação irrelevante.

Pérola Clínica

Dor em FID + Blumberg + defesa abdominal + dor ao chacoalhar → Apendicite aguda, indicação cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito é altamente sugestivo de apendicite aguda com sinais claros de irritação peritoneal. Em casos típicos e com alta probabilidade clínica, a indicação cirúrgica pode ser feita sem a necessidade de exames complementares, que poderiam atrasar o tratamento e aumentar o risco de perfuração.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns, resultando da obstrução do lúmen apendicular, que leva à inflamação, isquemia e, potencialmente, perfuração. A incidência é maior em adolescentes e adultos jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como peritonite e sepse. O diagnóstico da apendicite aguda é primariamente clínico. A história e o exame físico são os pilares. A dor característica que migra do periumbilical para a fossa ilíaca direita, associada a anorexia, náuseas e vômitos, e sinais de irritação peritoneal como Blumberg positivo, defesa e contratura, são altamente sugestivos. A ausência de febre não exclui o diagnóstico, especialmente nas fases iniciais. Em pacientes com apresentação clínica típica e alta probabilidade de apendicite, a indicação de apendicectomia pode ser feita sem a necessidade de exames complementares, agilizando o tratamento e reduzindo o risco de perfuração. Exames como hemograma (leucocitose) e PCR podem apoiar, mas não são diagnósticos definitivos. A tomografia computadorizada é o exame de imagem mais sensível e específico, mas deve ser reservada para casos duvidosos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda?

A apendicite aguda tipicamente começa com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, acompanhada de náuseas, vômitos, anorexia, febre baixa e sinais de irritação peritoneal como Blumberg positivo, defesa e contratura abdominal.

Quando exames de imagem são necessários para o diagnóstico de apendicite?

Exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia computadorizada) são úteis em casos atípicos, com apresentação clínica duvidosa, ou em pacientes com comorbidades que dificultam o exame físico, mas não são mandatórios em quadros clássicos.

Qual a importância do sinal de dor ao chacoalhar (jarring pain) na apendicite?

A dor aguda em fossa ilíaca direita ao passar por redutores de velocidade ou buracos na pista é um forte indicativo de irritação peritoneal, reforçando a suspeita de apendicite aguda e a necessidade de intervenção cirúrgica.

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