AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Homem de 25 anos é atendido no pronto socorro com dor abdominal de intensidade 8/10, com início há 24 horas e locallzação em quadrante inferior direito. Tem PA 120x80mmHg, temperatura de 37,2°C e pulso de 87bpm. O hemograma é normal e a ultrassom de abdome total não revela alterações detectáveis pelo método rotineiro.Qual deve ser a conduta a ser instituída?
Dor FID intensa + USG normal + alta suspeita → TC abdominal para apendicite atípica/inicial.
Em casos de alta suspeita clínica de apendicite aguda, mesmo com ultrassom abdominal normal e hemograma sem leucocitose, a tomografia computadorizada é o exame de imagem mais sensível e específico para confirmar ou excluir o diagnóstico, especialmente em apresentações atípicas ou iniciais.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, especialmente em jovens adultos. A apresentação clássica envolve dor periumbilical que migra para o quadrante inferior direito (FID), acompanhada de náuseas, vômitos e febre. No entanto, a apresentação pode ser atípica, dificultando o diagnóstico. Neste caso, apesar da dor intensa em FID e duração de 24 horas, o hemograma é normal e a ultrassonografia não revela alterações. É crucial entender que um ultrassom normal não exclui apendicite, especialmente em homens adultos (onde a sensibilidade pode ser menor que em crianças ou mulheres grávidas) ou em fases iniciais da doença. A sensibilidade do ultrassom é operador-dependente e pode ser limitada por fatores como obesidade ou gases. Diante de alta suspeita clínica e exames iniciais inconclusivos, a tomografia computadorizada abdominal com contraste é o exame de escolha. Ela possui alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de apendicite, permitindo visualizar o apêndice, identificar sinais inflamatórios periapendiculares e excluir outros diagnósticos diferenciais importantes, evitando atrasos no tratamento e complicações como a perfuração apendicular.
A ultrassonografia pode ser limitada pela obesidade, gases intestinais ou pela localização retrocecal do apêndice. Além disso, em fases muito iniciais da apendicite, as alterações podem não ser detectáveis.
Na TC, os achados incluem apêndice dilatado (>6mm), espessamento da parede apendicular, inflamação da gordura periapendicular (stranding) e, ocasionalmente, apendicolito.
O diagnóstico tardio de apendicite aumenta o risco de perfuração, peritonite, formação de abscesso e sepse, elevando a morbidade e mortalidade.
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