SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 45 anos de idade chegou ao pronto-socorro com dor abdominal intensa iniciada há 12 horas, localizada inicialmente no epigástrio, que migrou para o quadrante inferior direito. Ele apresentava febre (38,2°C), náuseas e anorexia. Ao exame físico, havia dor à palpação profunda no quadrante inferior direito e sinal de Blumberg positivo. O hemograma revelou leucocitose com desvio à esquerda. Qual é a conduta mais adequada para o caso desse paciente?
Dor migratória + Blumberg (+) + Leucocitose = Apendicite Aguda → Cirurgia (Apendicectomia).
Em quadros clínicos clássicos de apendicite aguda, o diagnóstico é eminentemente clínico e a conduta é a intervenção cirúrgica imediata para evitar complicações como perfuração.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. Sua fisiopatologia geralmente envolve a obstrução do lúmen apendicular (por fecálitos, hiperplasia linfoide ou neoplasias), levando ao aumento da pressão intraluminal, isquemia da mucosa e proliferação bacteriana. A migração da dor da região periumbilical para a fossa ilíaca direita ocorre devido à transição da dor visceral (conduzida por fibras C) para a dor somática (fibras A-delta) quando o peritônio parietal é inflamado. No caso clínico apresentado, o paciente possui um escore de Alvarado elevado (dor migratória, anorexia, náuseas, dor no quadrante inferior direito, descompressão dolorosa, febre e leucocitose), o que confere uma alta probabilidade diagnóstica. A conduta de escolha é a apendicectomia. A solicitação de TC (Alternativa A) seria indicada apenas em casos de dúvida diagnóstica, pacientes idosos ou apresentações atípicas. A observação com antibióticos (Alternativa C) ou alta (Alternativa D) são condutas inadequadas que aumentam a morbimortalidade por risco de perfuração e sepse.
O diagnóstico de apendicite aguda é considerado clínico quando o paciente apresenta a tríade clássica: dor abdominal que inicia no epigástrio ou região periumbilical e migra para a fossa ilíaca direita (quadrante inferior direito), associada a sinais de irritação peritoneal (como o sinal de Blumberg) e alterações laboratoriais sugestivas (leucocitose com desvio à esquerda). Em homens jovens e adultos com essa apresentação típica, exames de imagem como TC ou USG são frequentemente dispensáveis e não devem retardar o tratamento definitivo.
A apendicectomia laparoscópica é preferível na maioria dos casos devido a diversos benefícios: menor dor pós-operatória, menor taxa de infecção de ferida operatória, retorno mais rápido às atividades habituais e melhor resultado estético. Além disso, a laparoscopia permite uma exploração completa da cavidade abdominal, o que é particularmente útil em casos de dúvida diagnóstica ou quando há presença de pus/secreção em múltiplos quadrantes (peritonite).
Embora existam estudos discutindo o tratamento não operatório (antibioticoterapia isolada) para apendicite não complicada, a apendicectomia continua sendo o padrão-ouro ('gold standard'). O tratamento conservador apresenta altas taxas de recorrência (cerca de 25-30% em um ano) e risco de progressão para complicações graves. Para um paciente de 45 anos com sinais claros de irritação peritoneal e febre, a cirurgia é a conduta mais segura e resolutiva.
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