UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Menina de 3 anos tem dor abdominal há 3 dias, mais localizada em andar inferior. Há 2 dias apresenta episódios de vômitos esverdeados, inapetência e picos febris (38,5 ºC). Há 1 dia apresenta episódios de diarreia líquida. Exame físico: REG, desidratada 2+/4, irritada. Abdome: RHA diminuídos, dor difusa à palpação profunda, com reação peritoneal em hipogástrio. Hemograma: 14.000 glóbulos brancos, sem desvio. Raio-X de abdome, conforme a imagem.O diagnóstico e a conduta são:
Criança com dor abdominal progressiva, vômitos, febre e sinais de irritação peritoneal → Apendicite aguda.
A apendicite aguda em crianças pode apresentar-se atipicamente, mas a dor abdominal progressiva, vômitos (especialmente biliares), febre e sinais de irritação peritoneal (como dor à descompressão ou defesa) são altamente sugestivos, mesmo com leucocitose discreta e sem desvio. A conduta é cirúrgica.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em crianças, com pico de incidência entre 6 e 12 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Em crianças pequenas, o diagnóstico pode ser desafiador devido à dificuldade de comunicação e à apresentação atípica, o que aumenta o risco de perfuração. A importância de um diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve a obstrução da luz apendicular, geralmente por fecalito, hiperplasia linfoide ou parasitas, levando à inflamação, isquemia e, se não tratada, perfuração. Clinicamente, a dor abdominal progressiva (inicialmente periumbilical, migrando para fossa ilíaca direita), vômitos, anorexia e febre são clássicos. Sinais de irritação peritoneal, como dor à descompressão e defesa, são indicativos de peritonite. O hemograma pode mostrar leucocitose, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. A conduta para apendicite aguda é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. O tratamento precoce é fundamental para prevenir a perfuração e suas complicações, como peritonite difusa e formação de abscessos. A suspeita clínica, aliada a exames complementares como ultrassonografia, é essencial para um manejo adequado.
Dor abdominal periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa. Em crianças pequenas, a apresentação pode ser mais difusa e atípica.
Na apendicite, a dor abdominal geralmente precede os vômitos e é mais localizada e progressiva, com sinais de irritação peritoneal. Na gastroenterite, vômitos e diarreia são proeminentes e a dor é mais difusa, sem sinais de peritonite.
A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de primeira linha, buscando um apêndice não compressível, dilatado e com sinais inflamatórios. A tomografia computadorizada é mais sensível, mas reservada para casos duvidosos devido à radiação.
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