AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2022
Paciente masculino, 82 anos, comparece ao pronto-socorro por dor abdominal em fossa ilíaca direita há 72 horas, que evoluiu com distensão abdominal. Realizou tomografia abdominal, que demonstrou aumento do volume do apêndice cecal, borramento da gordura peritoneal periapendicular e abscesso periapendicular com 2cm de diâmetro. Leucograma com 14mil leucócitos, sem desvio à esquerda. Sobre esse caso, é correto afirmar, EXCETO:
Apendicectomia laparoscópica ↓ infecção de parede, mas NÃO necessariamente ↓ abscessos intracavitários em casos complicados.
Em apendicite complicada com abscesso, a abordagem laparoscópica oferece vantagens como menor dor e menor taxa de infecção de sítio cirúrgico. No entanto, a taxa de abscessos intracavitários pós-operatórios pode ser semelhante ou até maior em alguns estudos, devido à dificuldade de limpeza completa da cavidade peritoneal em casos de peritonite difusa ou abscesso grande.
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum, mas em idosos, sua apresentação pode ser atípica e o diagnóstico, tardio, levando a maiores taxas de perfuração e complicações como abscessos. A fisiopatologia envolve a obstrução do lúmen apendicular, resultando em inflamação, isquemia e, se não tratada, perfuração e formação de abscesso. O diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem como a tomografia computadorizada, que é padrão-ouro para identificar apendicite e suas complicações. O manejo da apendicite com abscesso periapendicular pode variar. Em pacientes estáveis com abscesso bem localizado, o tratamento conservador com antibioticoterapia e, se necessário, drenagem percutânea, é uma opção viável, seguida de apendicectomia de intervalo. Em casos de peritonite difusa ou instabilidade clínica, a cirurgia imediata é indicada. A escolha entre apendicectomia laparoscópica e aberta depende da experiência do cirurgião, das condições do paciente e da extensão da doença. A apendicectomia videolaparoscópica é geralmente preferida devido a vantagens como menor dor, menor tempo de internação e menor incidência de infecções de parede abdominal. Em pacientes idosos, a laparoscopia tem demonstrado ser segura e pode reduzir a morbidade e mortalidade geral. No entanto, é importante notar que, em casos de apendicite complicada com abscesso, a videolaparoscopia pode não diminuir a taxa de abscessos intracavitários pós-operatórios em comparação com a laparotomia, e em alguns cenários, a laparotomia pode permitir uma melhor exploração e limpeza da cavidade abdominal.
A abordagem videolaparoscópica geralmente resulta em menor dor pós-operatória, menor tempo de internação, recuperação mais rápida e menor incidência de infecções de parede abdominal. Em idosos, pode estar associada a menor morbidade e mortalidade geral.
Sim, o tratamento clínico com antibioticoterapia é uma opção para abscessos periapendiculares bem localizados e sem sinais de peritonite generalizada, especialmente em pacientes estáveis. A drenagem percutânea guiada por imagem pode ser associada em abscessos maiores. A apendicectomia pode ser realizada posteriormente (apendicectomia de intervalo).
Não necessariamente. Embora a videolaparoscopia reduza as infecções de parede, a evidência sobre a diminuição de abscessos intracavitários pós-operatórios em apendicite complicada é controversa. Alguns estudos mostram taxas semelhantes ou até ligeiramente maiores em comparação com a laparotomia, especialmente em casos de peritonite difusa ou abscessos grandes, onde a limpeza da cavidade pode ser mais desafiadora.
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