SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Paciente de 32 anos de idade, sexo masculino, com dores em fossa ilíaca direita, febre, mal-estar há cerca de 4 dias, relatando disúria e dificuldades evacuatórias desde o início dos sintomas, procurou o pronto-socorro onde realizou um ultrassom de abdome, revelando ter abscesso em goteira parietocólica direita e sinais de apendicite aguda. Foi, então, submetido à cirurgia convencional com incisão mediana infraumbilical. Durante a cirurgia, observou-se, na cavidade, intenso bloqueio inflamatório com abscesso localizado junto ao ceco, com necrose e perfuração da ponta do apêndice; também notou- se base do apêndice com áreas de isquemia junto à parede do ceco.Nesta situação, a melhor estratégia cirúrgica é
Apendicite com abscesso/necrose extensa na base → ileotiflectomia com anastomose.
Em casos de apendicite aguda complicada com abscesso, necrose e perfuração da ponta, e isquemia da base do apêndice junto ao ceco, a apendicectomia simples pode ser insuficiente. A ileotiflectomia (ressecção do íleo terminal, ceco e apêndice) com anastomose íleo-ascendente é a melhor estratégia para garantir a remoção de todo o tecido necrótico e evitar complicações.
A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns. Embora a apendicectomia simples seja o tratamento padrão para a doença não complicada, casos de apendicite complicada, caracterizados por perfuração, abscesso, peritonite ou necrose extensa, exigem uma abordagem cirúrgica mais complexa e cuidadosa. A presença de um abscesso em goteira parietocólica direita, necrose e perfuração da ponta do apêndice, e especialmente isquemia na base do apêndice junto ao ceco, indica uma condição grave que transcende uma simples inflamação apendicular. Nessas situações, a tentativa de realizar apenas uma apendicectomia convencional pode ser arriscada. A necrose ou isquemia da base do apêndice compromete a integridade da parede cecal, tornando a ligadura e invaginação do coto apendicular inseguras e com alto risco de deiscência e fístula cecal. O intenso bloqueio inflamatório também dificulta a dissecção segura e a identificação das estruturas. A estratégia cirúrgica mais adequada para esses casos é a ileotiflectomia, que consiste na ressecção do íleo terminal, ceco e apêndice. Este procedimento permite a remoção completa do tecido inflamado e necrótico, garantindo margens de tecido saudável. Após a ressecção, realiza-se uma anastomose íleo-ascendente para restabelecer a continuidade do trato gastrointestinal. A drenagem da cavidade pode ser considerada, dependendo da extensão da contaminação. Esta abordagem, embora mais invasiva, minimiza o risco de complicações pós-operatórias graves e oferece o melhor prognóstico para o paciente.
A apendicectomia simples pode ser insuficiente quando há necrose extensa da base do apêndice, envolvimento inflamatório ou isquêmico do ceco, ou um abscesso grande e bem localizado que impede a ressecção segura apenas do apêndice.
A ileotiflectomia é a ressecção do íleo terminal, ceco e apêndice. É indicada em casos de apendicite complicada com necrose da base apendicular, isquemia cecal ou bloqueio inflamatório extenso que compromete a viabilidade da parede cecal.
Os riscos incluem fístula cecal, peritonite, formação de novos abscessos, infecção da ferida operatória e necessidade de reintervenção cirúrgica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo