UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Paciente do sexo masculino 34 anos vem ao hospital queixando-se de febre, falta de apetite e dificuldade para caminhar devido dor na região do quadril direito. Início do quadro há 38 horas. Ao exame físico: regular estado geral, desidratado 1+/4+, sudorético, temperatura axilar 39º, abdome flácido, doloroso em todo o baixo ventre, porém com descompressão brusca negativa, punho percussão do calcâneo negativa, sinal do obturador positivo. Hemograma com 15.000 leucócitos. Sua hipótese diagnóstica neste caso, seria:
Febre, dor em baixo ventre/quadril direito, sinal do obturador positivo e leucocitose → Suspeitar de apendicite aguda, especialmente pélvica ou retrocecal.
A apendicite aguda pode apresentar-se com dor atípica, como na região do quadril direito, especialmente quando o apêndice está em posição retrocecal ou pélvica. O sinal do obturador positivo, febre, dor no baixo ventre e leucocitose são achados que reforçam a suspeita de apendicite aguda, mesmo com descompressão brusca negativa.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, sendo crucial para o residente reconhecer suas diversas apresentações. Embora a dor clássica seja periumbilical migrando para a fossa ilíaca direita, variações anatômicas do apêndice (retrocecal, pélvico, subhepático) podem levar a quadros atípicos, dificultando o diagnóstico. No caso apresentado, a dor na região do quadril direito, associada a febre, leucocitose e, principalmente, o sinal do obturador positivo, são fortes indicativos de apendicite aguda, especialmente na sua forma pélvica. O sinal do obturador ocorre quando o apêndice inflamado irrita o músculo obturador interno. A ausência de descompressão brusca positiva não exclui o diagnóstico, pois a irritação peritoneal pode ser mais localizada. O diagnóstico de apendicite aguda é primariamente clínico, mas exames complementares como hemograma (leucocitose com desvio à esquerda) e exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia computadorizada) são frequentemente utilizados para confirmação e exclusão de diagnósticos diferenciais. O tratamento padrão é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta, dependendo da condição do paciente e da experiência do cirurgião.
O sinal do obturador é a dor na hipogástrio ou fossa ilíaca direita ao flexionar e rodar internamente a coxa direita do paciente. É positivo quando o apêndice inflamado está em contato com o músculo obturador interno, comum em apendicite pélvica, indicando irritação local.
A dor pode se manifestar no quadril ou na região lombar quando o apêndice está em posição retrocecal ou pélvica, irritando estruturas adjacentes como o músculo psoas ou o obturador, levando a uma apresentação atípica da dor abdominal.
Além do hemograma com leucocitose e desvio à esquerda, a ultrassonografia abdominal e a tomografia computadorizada de abdome e pelve são os exames de imagem mais úteis para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e excluir outros diferenciais.
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