Apendicite Aguda: Fisiopatologia da Dor e Diagnóstico

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023

Enunciado

Sobre as doenças do apêndice, assinale a opção ERRADA.

Alternativas

  1. A) A dor periumbilical que costuma ocorrer no início do quadro de apendicite aguda pode ser explicada pela distensão luminal do apêndice após a obstrução da sua luz por um apendicolito.
  2. B) A dor abdominal na apendicite aguda costuma migrar para a fossa ilíaca direita quando ocorre isquemia do órgão e sequencialmente necrose e perfuração.
  3. C) O ponto de McBurney localiza-se a 1/3 da distância em uma linha traçada entre a espinha ilíaca ântero-superior e o umbigo.
  4. D) A laparoscopia pode ser usada de forma propedêutica nos casos que o exame clínico associado aos exames complementares não fecham o diagnóstico.
  5. E) A apendicectomia por videolaparoscopia leva a menos infecção da ferida operatória e menor tempo de internamento hospitalar quando comparada com a apendicectomia aberta.

Pérola Clínica

Apendicite aguda: dor periumbilical (visceral) → fossa ilíaca direita (parietal) por irritação peritoneal, não por isquemia/necrose.

Resumo-Chave

A migração da dor na apendicite aguda da região periumbilical para a fossa ilíaca direita ocorre devido à irritação do peritônio parietal adjacente ao apêndice inflamado, e não primariamente por isquemia, necrose ou perfuração do órgão.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, afetando predominantemente jovens. Sua fisiopatologia geralmente envolve a obstrução da luz apendicular (por fecalito, hiperplasia linfoide, parasitas), levando à proliferação bacteriana, distensão luminal, isquemia da parede e, se não tratada, perfuração. O quadro clínico clássico inicia-se com dor periumbilical ou epigástrica (dor visceral), que migra para a fossa ilíaca direita (dor somática) à medida que a inflamação atinge o peritônio parietal. A migração da dor é um sinal semiológico crucial. A dor visceral inicial é difusa e mal localizada, enquanto a dor somática na fossa ilíaca direita é bem localizada e exacerbada por movimentos. O ponto de McBurney, localizado a 1/3 da distância da espinha ilíaca ântero-superior ao umbigo, é um marco anatômico para a palpação da dor. O diagnóstico é clínico, complementado por exames laboratoriais (leucocitose) e de imagem (ultrassonografia, tomografia). A laparoscopia pode ser diagnóstica e terapêutica, especialmente em casos duvidosos. A apendicectomia videolaparoscópica é a técnica preferencial, associada a menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e menor taxa de infecção de sítio cirúrgico em comparação com a cirurgia aberta.

Perguntas Frequentes

Por que a dor da apendicite aguda começa na região periumbilical?

A dor inicial é visceral, difusa e periumbilical, causada pela distensão da luz apendicular e irritação das fibras nervosas autonômicas, que são menos localizadas.

O que causa a migração da dor para a fossa ilíaca direita na apendicite?

A migração ocorre quando a inflamação do apêndice se estende para o peritônio parietal adjacente, que possui inervação somática e permite uma localização mais precisa da dor.

Qual a importância do ponto de McBurney no exame físico da apendicite?

O ponto de McBurney é um local de máxima sensibilidade à palpação na fossa ilíaca direita, indicando irritação peritoneal localizada e sendo um sinal clássico de apendicite aguda.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo