HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Paciente jovem, de 27 anos, previamente hígido, apresenta dor abdominal há 36 horas, iniciada em região periumbilical e migrada para fossa ilíaca direita, e refere febre baixa e anorexia. Ao exame físico: PA: 118x72 mmHg, FC: 104 bpm, T: 38,4 ºC, abdome: dor intensa em fossa ilíaca direita, defesa involuntária, sinal de Blumberg positivo, ruídos hipoativos. Exames complementares com hemograma: leucócitos 15.200/mm³ (neutrófilos 85%) e tomografia computadorizada de abdome: apêndice 12 mm, paredes espessadas, presença de líquido livre pericecal, sem abscesso. A conduta inicial deve ser:
Dor periumbilical → migração FID + Blumberg+ = Apendicite Aguda → Apendicectomia.
A apendicite aguda em fase inicial sem complicações (abscesso/peritonite difusa) tem como padrão-ouro a apendicectomia, preferencialmente por via videolaparoscópica.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. A fisiopatologia envolve a obstrução da luz apendicular por fecalitos, hiperplasia linfoide ou neoplasias, levando ao aumento da pressão intraluminal, isquemia e proliferação bacteriana. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado pela tríade de Murphy (anorexia, dor abdominal e vômitos) e a migração da dor da região periumbilical para a fossa ilíaca direita. A videolaparoscopia é a via preferencial por reduzir dor pós-operatória, tempo de internação e taxas de infecção de ferida operatória, especialmente em obesos e mulheres em idade fértil.
A tomografia computadorizada (TC) de abdome apresenta alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de apendicite aguda, sendo útil em casos duvidosos ou para avaliar complicações como abscessos. Achados típicos incluem diâmetro apendicular > 6 mm, espessamento de paredes, realce pelo contraste e densificação da gordura periapendicular. No entanto, em pacientes jovens e magros, o diagnóstico clínico associado a exames laboratoriais pode ser suficiente para indicar a cirurgia.
O tratamento conservador com antibióticos (sem cirurgia) é controverso e geralmente reservado para protocolos de pesquisa ou situações específicas onde a cirurgia é contraindicada. A taxa de recorrência em um ano é significativa (cerca de 25-30%). Na prática clínica padrão, a apendicectomia permanece o tratamento definitivo para evitar progressão para perfuração e peritonite.
O sinal de Blumberg (descompressão dolorosa no ponto de McBurney) é o mais clássico. Outros sinais incluem o sinal de Rovsing (dor na FID ao palpar a FIE), sinal do Psoas (dor à extensão da coxa direita) e sinal do Obturador (dor à rotação interna da coxa direita flexionada). A presença de defesa abdominal involuntária sugere peritonite localizada ou generalizada.
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